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CROSSES' CAVERN (Chapters 1 to 5) (by Germano Quaresma)

Chapter The First   Good Afternoon, folks. My name is Manny Duke. I am a farmer, sorry, eu sou um fazendeiro (falemos portuguese, please) aqui do Estado de Idaho, EUA. Nem sempre eu tenho sido um fazendeiro, isto é, eu usava ser um lawyer quando vivia lá na cidade grande. Um lawyer, um homem de leis. Cirscunstâncias da life me levaram, no entanto, a me tornar um farmer, recluso aqui no escondido Idaho, no munícipio de Crosses Cavern (Caverna das Cruzes), onde possuía já, adquirida com o dinheiro que ganhei como homem de leis, uma pequena propriedade rural. Montaigne, um sábio francês, e nós norteamericanos adoramos os franceses, viveu experiência parecida à minha, a determinado ponto de sua life decidiu abolir todo contato humano e se recolheu na sua quinta, nos arrebaldes de Paris, de onde passou a escrever memórias e reflexões.   Eu também decidi abandonar por completo o contato com os seres humanos, e devo acabar por expor as razões que me levaram a tal decisão ao l...

ALFREDO MONTE E O GATO PRETO (por Germano Quaresma)

Diz-se que os gatos se nutrem de energia negativa. Esta manhã, no funeral do meu amigo, incomodado com um culto improvisado por membros da IURD antes de se fechar o esquife (meu amigo devia estar odiando) saí com minha amiga num passeio pelo cemitério contíguo ao velório. Centenas de gatos magros e sujos vagabundeavam por ali, nutrindo-se da energia que ali devia abundar. De toda sorte, atado por um laço de solidariedade à mão dela, preferi filosofar que uma história de amor só se consolida quando o casal passeia junto num cemitério.   Meu gato preto fugiu, preferiu a liberdade ao cárcere sombrio que é meu apartamento. A essa desgraça sucedeu uma série de perdas (nem um pouco bem aceitas por mim) que culminou com a morte do amigo cujo enterro eu prestigiava. Talvez estivesse triste pra mim e pras pessoas presentes, mas a expressão do meu amigo, ora cadáver, era serena. Mais expressiva que todas as que vi nos últimos três anos de sua agonia. Ante piadas ou notícias tristes, ou l...

TOFU DIDO, UMA COMÉDIA ALIMENTAR (por Germano Quaresma, aka Manoel Herzog, ou vice-versa)

   COMÉDIA ALIMENTAR - TOFU DIDO     I- Quad ras Sabendo que a carne é podre, Fato que muito me enoja, Querendo comida nobre Fui comer carne de soja. Daí que fiquei sabendo De um parasita, meu sócio, Que ganhava os dividendo: Esse tal de agronegócio. Levei sabugo de milho (haja papel higiênico) Aqui se come restolho, é o alimento transgênico Tiraro as floresta tudo No lugar pôs soja e boi Os pobre índio botocudo Ganhou celular da Oi, Da Tim, da Vivo, o cacete. Brasil, celeiro do mundo: Empresários cafajestes Políticos vagabundos Uma mídia bem canalha Justiça venal e lerda E o povo, nessa caralha, Pagando e comendo merda   II - Tercetos Cansado de carne com papelão Assunto que virou carne de vaca Foi que eu me decidi por abrir mão De comer carne, já que a carne é fraca E transformei inteiro o meu cardápio Pra só comer soja, milho e alfavaca. Rasguei meus ternos, me cobri de trapos (Quase me interditou minha família) Mas tinha dignidade em meus farrapos Morreu pap...

UM "MICOCONTO" DE GERMANO QUARESMA (A.K.A. MANOEL HERZOG)

MICOCONTO Jefferson Almeida decidiu candidatar-se a vereador por um partido de esquerda, aproveitando a onda, eterna onda, de descrédito da direita. Ele não era um grande humanista e pouco se lixava pra causa operária, mas achou de fazer o nome erguendo bandeiras que julgou lhe trariam dividendos. Defendeu minorias às quais não pertencia e sempre, antes de iniciar qualquer defesa, pedia desculpas por falar em nome dos oprimidos sem ter "lugar de fala". Não se situava historicamente, nem se identificava com esta ou aquela classe, mas sabia falar do que convinha e troca de votos ou likes. Aproveitando o fato de laborar num órgão público, por onde se fez conhecido em sua cidade, adotou o nome de campanha Jeffinho do Detran. Passavam milhares de munícipes por sua repartição todos os meses, todos à busca de emplacar o carro novo, de um tempo pra cá tudo que é pobre tem carro zero. Jefferson se solidariza e diz que é qualidade de vida pra classe operária. Recente...

A SOLIDÃO DO HOMEM FOFO #3 (por Germano Quaresma)

A SOLIDÃO DO HOMEM FOFO Cap X Volto aqui eu, o narrador, para uma breve reflexão: O que quer o homem fofo? Filho espúrio de uma época de ocaso, protagonizada por tristes figuras qual Fernando Gabeira, o homem fofo surge como reação ao crepúsculo de um macho romântico, sadio e bondoso, que amava as mulheres sem alienar sua alma ao diabo. Na aurora de enxofre que sucedeu o arrebol do velho macho luziu este espécime execrável, descontextualizado (ele próprio se diz "desconstruido"), sem identidade nem opinião firme. Arroja-se a infâmias como comer saladinhas, cheirar a rolha do vinho e fazer observações sobre safra, acidez, oxidação, combina cores de roupa. Degradou-se, enfim, no afã de agradar a pauta feminista impositiva que matou seu antecessor. Pra não sucumbir, capitulou. Em vez de lutar, aliou-se ao dominador. Mas, tal e qual o colonizador norte americano tem profundo desprezo pelo índio brazuca que o bajula, as mulheres nutrem pelo homem fofo verdadeir...