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LEVA UM CASAQUINHO ESCOLHE OS DEZ MELHORES FILMES DE 2016 (por Chico Marques)

1. A JUVENTUDE (Paolo Sorretino) Depois de um filme repleto de superlativos como A Grande Beleza , ninguém imaginava que Paolo Sorrentino retornasse com um filme ainda mais contudente. E não é que ele fez justamente isso? A Juventude  traz Michael Caine e Harvey Keitel como dois velhos amigos que enxergam a velhice por ângulos diferentes. Enquanto Caine faz um músico renomado que só quer curtir em paz seus últimos dias mergulhado no tédio -- a ponto de esnobar um convite da Rainha Elizabeth --, o segundo é cineasta e pretende realizar seu último filme, uma espécie de longa-testamento protagonizado pela atriz que lançou 50 anos atrás -- Jane Fonda, em uma aparição hipnotizante e inesquecível. Rachel Weisz, interpreta a atormentada filha do músico, e é seu personagem que ajuda a equilibrar essa história com doçura, conflito e afeto. O filme lança olhar irônico e ferino não só para a velhice ou a juventude, mas para a vida em si, incluindo aí a fogueira das vaidades do mundo do ...

AS IMPRESSÕES DE FÁBIO CAMPOS SOBRE "CAFÉ SOCIETY", O NOVO FILME DE WOODY ALLEN

Sempre procuro evitar spoilers, mas, nesse caso, as conclusões podem levar a pistas sobre o desenrolar do filme. Portanto, mais uma vez, recomendo a leitura depois de assistir ao filme. Woody Allen é, sem duvida, o mais bem-sucedido caso de cineasta autoral da história. Consegue entregar quase que anualmente o sonho de todo o cineasta, um filme com total controle criativo e nenhuma preocupação com bilheteria. Com uma carreira longa e prolífica fica difícil não ser repetitivo. Particularmente enxergo os filmes europeus como um respiro, mas foram tantos que a volta pra casa acaba gerando um novo respiro. Talvez por isso, Café Society seja o mais divertido dos seus filmes em anos. Só rivaliza com Tudo Pode Dar Certo, mas esse era uma comédia rasgada (coincidentemente se passava em Nova York) e Café Society está mais para comédia romântica. Bobby (o cada vez melhor, Jesse Einsenberg) é o filho mais novo de uma família judia de Nova York que cansa da vida monótona que é traba...

DUAS VIDEO-ENTREVISTAS COM WOODY ALLEN SOBRE SEU "CAFÉ SOCIETY", QUE ESTREIA HOJE

    ENTREVISTA CONCEDIDA AO WEBSITE OMELETE O quanto a figura de Bobby, um roteirista em busca de um lugar ao sol na indústria, reflete um pouco do seu próprio passado no cinema? Ele não é um espelho do que eu fui e sim um elemento de um conto moral sobre deslumbramento com um mundo de glamour. Jesse Eisenberg é um ator excelente que tem autonomia criativa suficiente para fazer as escolhas certas em relação ao personagem que eu ofereci a ele: um homem que está aprendendo a lidar com o estrelato. E aquele é um universo cruel. Basta você mergulhar na literatura de F. Scott Fitzgerald, o autor de O Grande Gatsby, que trabalhou no cinema nesse início do século XX, para entender a selvageria que foi a Era dos Estúdios. Ali, ideias eram propriedades das grandes companhias cinematográficas, não dos diretores. Já eu sou fruto de um tempo onde os filmes são responsabilidade dos cineastas. A diferença é que, no meu caso, só o que eu faço é deixar quem sabe de verdade s...