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O POETINHA DESTA SEGUNDA FEZ 99 ANOS DIA 24 DE MARÇO, E SEGUE ESCREVENDO POEMAS E DANDO EXPEDIENTE NA CITY LIGHTS, SUA LIVRARIA E EDITORA EM SAN FRANCISCO, CAL.

O OLHO DO POETA OBSCENO VENDO... O olho do poeta obsceno vendo vê a superfície do mundo redondo com seus telhados bêbados e pássaros de pau nos varais e suas fêmeas e machos feitos de barro com pernas em fogo e peitos em botão em camas rolantes e suas árvores de mistérios e seus parques de domingos no parque e estátuas sem fala e seus Estados Unidos com suas cidades fantasmas e Ilhas Ellis vazias e sua paisagem surrealista de pradarias estúpidas supermercados subúrbios cemitérios com calefação e catedrais que protestam um mundo à prova de beijo um mundo de tampas de privada e táxis caubóis de butique e virgens de Las Vegas índios sem terra e madames loucas por cinema senadores anti-romanos e conformistas c onformados e todos os outros fragmentos desbotados do sonho imigrante real demais e disperso entre esse pessoal que toma banho de sol [Tradução: Paulo Leminski] THE POET'S EYE OBSCENELY SEEING... The poet's eye osbcenely seeing sees the sur...

O POETINHA DE HOJE ESTÁ COMPLETANDO 98 ANOS DE IDADE E SEGUE ESCREVENDO POEMAS E DANDO EXPEDIENTE NA CITY LIGHTS, SUA LIVRARIA E EDITORA EM SAN FRANCISCO, CAL.

O OLHO DO POETA OBSCENO VENDO... O olho do poeta obsceno vendo vê a superfície do mundo redondo com seus telhados bêbados e pássaros de pau nos varais e suas fêmeas e machos feitos de barro com pernas em fogo e peitos em botão em camas rolantes e suas árvores de mistérios e seus parques de domingos no parque e estátuas sem fala e seus Estados Unidos com suas cidades fantasmas e Ilhas Ellis vazias e sua paisagem surrealista de pradarias estúpidas supermercados subúrbios cemitérios com calefação e catedrais que protestam um mundo à prova de beijo um mundo de tampas de privada e táxis caubóis de butique e virgens de Las Vegas índios sem terra e madames loucas por cinema senadores anti-romanos e conformistas c onformados e todos os outros fragmentos desbotados do sonho imigrante real demais e disperso entre esse pessoal que toma banho de sol [Tradução: Paulo Leminski] THE POET'S EYE OBSCENELY SEEING... The poet's eye osbcenely seeing sees...

O POETINHA DESSA SEMANA FOI UM MEMBRO ILUSTRE DA BLACK MOUNTAIN POETS SOCIETY

ilustração: O Alce, de George Stubbs Poesia, Uma Coisa Natural Nem nossos vícios nem nossas virtudes promovem o poema. “Eles surgem           e morrem tal como o fazem todos os anos           sobre as rochas.”           O poema se alimenta de pensamentos, sentimentos, impulsos,           para recriar     a si mesmo, uma urgência espiritual capaz de transpor sombrias escadas. Essa beleza é uma persistência interior           em direção à fonte pelejando contra (dentro) a correnteza do rio,           um chamado que escutamos e respondemos na intempestividade do mundo,           bramidos primordiais a partir dos quais o mundo novo poderia surgir, não há salmões no reservatório onde           caem as avelãs, senão nas cascatas a batalhar, inarticulado...

POEMINHA DE SEGUNDA - NOITE DE SUOR (de Robert Lowell)

Noite de Suor Mesa de trabalho, desalinho, livros, o abajur de pé,  coisas comuns, meu equipamento parado, a velha vassoura,  mas vivo num quarto arrumado,  há dez noites tenho sentido cãibras  formigando todo o branco manchado de meu pijama...  Um sal adocicado me perfuma e minha cabeça está molhada,  todo o mundo flutua e me diz que tudo vai bem;  o calor de minha vida encharca-se do suor da noite ─  uma vida, uma obra! Mas a descida vertiginosa  e o egoísmo da existência nos secam completamente ─  dentro de mim há sempre a criança que morreu,  dentro de mim há sempre o seu desejo de morrer ─  um universo, um corpo ... nesta urna  a noite animalesca sua toda a ferida da alma.  Atrás de mim! Você! Sinto outra vez a luz  iluminar minhas pálpebras de chumbo,  enquanto os cavalos de cabeça cinza relincham  à procura da fuligem da noite.  Encharcado chapinho-me nos salpicos ...

POEMINHA DE DOMINGO (por Robert Lowell)

Noite de Suor Mesa de trabalho, desalinho, livros, o abajur de pé,  coisas comuns, meu equipamento parado, a velha vassoura,  mas vivo num quarto arrumado,  há dez noites tenho sentido cãibras  formigando todo o branco manchado de meu pijama...  Um sal adocicado me perfuma e minha cabeça está molhada,  todo o mundo flutua e me diz que tudo vai bem;  o calor de minha vida encharca-se do suor da noite ─  uma vida, uma obra! Mas a descida vertiginosa  e o egoísmo da existência nos secam completamente ─  dentro de mim há sempre a criança que morreu,  dentro de mim há sempre o seu desejo de morrer ─  um universo, um corpo ... nesta urna  a noite animalesca sua toda a ferida da alma.  Atrás de mim! Você! Sinto outra vez a luz  iluminar minhas pálpebras de chumbo,  enquanto os cavalos de cabeça cinza relincham  à procura da fuligem da noite.  Encharcado chapinho-me nos salpico...