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POEMINHA DE SEGUNDA - NOITE DE SUOR (de Robert Lowell)



Noite de Suor


Mesa de trabalho, desalinho, livros, o abajur de pé, 
coisas comuns, meu equipamento parado, a velha vassoura, 
mas vivo num quarto arrumado, 
há dez noites tenho sentido cãibras 
formigando todo o branco manchado de meu pijama... 
Um sal adocicado me perfuma e minha cabeça está molhada, 
todo o mundo flutua e me diz que tudo vai bem; 
o calor de minha vida encharca-se do suor da noite ─ 
uma vida, uma obra! Mas a descida vertiginosa 
e o egoísmo da existência nos secam completamente ─ 
dentro de mim há sempre a criança que morreu, 
dentro de mim há sempre o seu desejo de morrer ─ 
um universo, um corpo ... nesta urna 
a noite animalesca sua toda a ferida da alma. 
Atrás de mim! Você! Sinto outra vez a luz 
iluminar minhas pálpebras de chumbo, 
enquanto os cavalos de cabeça cinza relincham 
à procura da fuligem da noite. 
Encharcado chapinho-me nos salpicos do dia, 
um monte de roupa molhada, amargurado, trêmulo, 
vejo minha carne e lençóis banhados de luz, 
meu filho se explodindo em dinamite, 
minha mulher... sua leveza muda o mundo, 
e rompe o filamento de teia preta que vem dos palpos da aranha, 
enquanto seu coração palpita e se agita como se fosse o de uma lebre. 
Pobre tartaruga, tartaruga, se não posso purificar 
aqui a superfície destas águas conturbadas, 
absolve-me, ajuda-me, fortificando-me, 
enquanto você suporta nas costas a alternação e o peso morto do mundo.


Robert Lowell é uma das vozes poéticas
mais intensas já surgidas na América.
Nascido na cidade de Boston em 1917,
ele começou a publicar seus poemas em 1944
e foi extremamente influente no meio poético 
nas duas décadas seguintes, 
atraindo particularmente jovens poetas
como Anne Sexton e Sylvia Plath.
Teve uma participação social ativa nos Anos 60
durante a Luta pelos Direitos Civis 
ao lado da amiga romancista Mary McCarthy, 
e foi referência obrigatória 
tanto para os poetas beat 
quanto para toda a turma da 
City Lights Books em San Francisco, 
a começar pelo dono da editora, 
seu amigo Lawrence Ferlinghetti.
Publicou em vida 18 livros de poemas.
Morreu em 1977 na cidade de Nova York.

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