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MAIS ESCURO: AS ARTES DAS CAPAS DOS LPS DE LEONARD COHEN (por Itamar Alves)

  Leonard Cohen lançou a última coleção de canções originais, “You Want It Darker”, em 2016, fechando seu ciclo na cultura popular. O cantor encontrava-se em estado de saúde terminal, que foi debatido ostensivamente nas entrevistas de divulgação. Morte e sexo talvez sejam os temas principais de suas canções, e era o próprio fim que Cohen contemplava. Esteticamente, pode-se notar uma contiguidade de ideias nas artes de seus discos, em especial a série que vai de “Old Ideas”, de 2012, ao derradeiro. Como fez desde a estreia em 1967, Cohen aparece encarando sem rodeios aquilo que tem que enfrentar.   Capas de discos ganharam importância cultural com a massificação do “long play”(LP), expansão do número de canções a serem comercializadas em um único produto. Se na literatura o romance do século XIX significou a possibilidade de encadeamento de múltiplos personagens em um único arco, a indústria fonográfica mimetizou o mesmo processo através do LP, após a Segunda Guerra Mundial. Gr...

SAUDADE DO FUTURO (por Itamar Alves)

  Uma das tônicas da música brasileira da segunda metade do século XX é a de forma e conteúdo servirem à ideia de mudança. Canções com letras em versos abertos e estruturas modernas traduziram foneticamente o salto desenvolvimentista das décadas de 1950 e 60, e a redemocratização dos 80 teve impacto forte no ambiente pop brasuca . Duas canções-chaves desses momentos aproximam-se nos formatos e temas de vontade de futuro: “Chega de Saudade”, de Tom Jobim e Vinícius de Moraes; “Fullgás”, de Marina Lima e Antonio Cícero. Funcionam como polaróides do que o crítico literário José Guilherme Merquior chamou de “saudade às avessas”, ou seja, o sentimento de falta do que ainda não veio como vetor para transformação.   Escritas por dois poetas que queriam rearranjar o contexto das letras de seus respectivos momentos, “Chega de Saudade” e “Fullgás” subverteram a prática comum . A música das décadas de 1950, com temas de tristeza e abandono, e de 1970, ainda com ranços ou de binarismo...