(A Ivan Junqueira) Não há como agarrar-te à natureza quando a asa da noite baixa e faz a sombra sobre a acha, a lenha presa à luz da labareda que a desfaz; morres despreparado ou morres bem, mas passas pela cinza, meu rapaz. Tudo talvez ressurja mais além, mas ao abutre, albatroz, águia ou condor o vôo acaba por pesar e tem que perder altitude no esplendor: dos páramos à esteira de uma nave estende-se a amplidão, mas sem repor fôlego a um coração até que a ave recolha a asa e pronto, se acabou, foi-se o que era tão doce! Tão suave levitou-se e mais nada lembra o vôo... Nada, nem mesmo a terra, eqüidistante do que caiu como do que voltou, com uma equanimidade impressionante. E caso a interpelassem que diria? Nada outra vez, ou menos que o ex-amante fingindo-se impassível se algum dia ouve dizer que tudo acaba assim. Pois foi assim que o espectro da poesia surgiu-me um belo dia, e veio a mim assim que eu consegui levar a sério os canteiros de Kant num jardi...
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