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Showing posts with the label Ivan Junqueira

POEMINHA DE SEGUNDA : O ESPECTRO (por Bruno Tolentino)

(A Ivan Junqueira) Não há como agarrar-te à natureza quando a asa da noite baixa e faz a sombra sobre a acha, a lenha presa à luz da labareda que a desfaz; morres despreparado ou morres bem, mas passas pela cinza, meu rapaz. Tudo talvez ressurja mais além, mas ao abutre, albatroz, águia ou condor o vôo acaba por pesar e tem que perder altitude no esplendor: dos páramos à esteira de uma nave estende-se a amplidão, mas sem repor fôlego a um coração até que a ave recolha a asa e pronto, se acabou, foi-se o que era tão doce! Tão suave levitou-se e mais nada lembra o vôo... Nada, nem mesmo a terra, eqüidistante do que caiu como do que voltou, com uma equanimidade impressionante. E caso a interpelassem que diria? Nada outra vez, ou menos que o ex-amante fingindo-se impassível se algum dia ouve dizer que tudo acaba assim. Pois foi assim que o espectro da poesia surgiu-me um belo dia, e veio a mim assim que eu consegui levar a sério os canteiros de Kant num jardi...

POEMINHA DE DOMINGO (por Ivan Junqueira)

ESSA MÚSICA Essa música que retorna como o perfume de uma rosa, essa música que se entorna de uma ânfora por cujas bordas escorre ainda o mel de outrora, essa música insidiosa numa antiquíssima harpa eólica: seria o vento em suas cordas? Seria Orfeu vindo das forjas do inferno a que baixou, apóstata, em busca da filha de Apolo, Eurídice, a esposa morta por quem até hoje ele chora? Não é nada enfim. Tudo dorme. Há, sim, alguém que à noite acorda e vê-se em ruínas, sem memória de um tempo que fugiu, mas volta nessa música que se entorna, e vai e vem, e vem e torna, nessa música que retorna como o perfume de uma rosa. Ivan Junqueira nasceu na cidade do Rio  em 3 de novembro de 1934.  Estudou Medicina e Filosofia  na Universidade do Brasil,  mas não concluiu nenhum dos dois cursos.  Como jornalista, passou por todas  as redações de jornais cariocas,  até virar diretor do Centro de Inf...