Fui cliente contumaz da FERRS desde 1973, quando funcionava na Galeria Quinta Avenida, depois na Galeria Campos Elíseos, e por último no Parque Balneário Shopping.
Era a loja mais descolada da cidade, sempre abarrotada de LPs -- depois, CDs -- importados e sempre atualizadíssima -- ao contrário de seus concorrentes, que trabalhavam só com o arroz com feijão fornecido pelas gravadoras brasileiras.
Virou rapidamente o equivalente local às grandes lojas de São Paulo e Rio, como o Museu do Disco, Modern Sound, Brenno Rossi, Billboard e Bruno Blois. Tinha importação própria e trabalhava tão bem que durante algum tempo ganhou uma "quase filial": a Korneta, com LPs importados e equipamentos de som high-end.
Eu sou suspeito para falar, pois é enorme a quantidade de LPs que guardo até hoje com aquele selinho dourado clássico de extremo bom gosto com o logo da loja em azul escuro.
(verdade seja dita: a FERRS era na época a única loja de discos da cidade com um logo bacana, bem projetado, e foi a primeira a se preocupar em ter uma identidade visual forte)
Sempre achei que o Fernando e o Paulo tinham uma atitude cosmopolita e uma postura pouco sorridente, que vez ou outra entrava em rota de colisão com estratégias de venda maneiristas e pegajosas praticadas por outros lojistas do ramo na cidade.
Graças a isso, os dois irmãos ganharam fama de antipáticos, e cagavam solenemente para esse mimimi provinciano local.
Sabiam o que estavam fazendo, tanto que a FERRS sobreviveu a todos os seus concorrentes nesses 43 anos com instalações de dar inveja à maioria das lojas de discos de São Paulo.
Eu bato palmas para a FERRS pelo alto padrão de comércio praticado nesses 43 anos e também pela tenacidade.
Obrigado, Fernando.
Obrigado, Paulo (in memoriam).
Que bom que vocês fizeram a diferença.
A propósito: tem uma liquidação rolando tanto na loja física do Parque Balneário Shopping quanto na loja virtual da FERRS: http://www.ferrs.com.br/ferrs/


