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POEMINHA DE DOMINGO (por Antonio Luiz Nilo)

PONTO E TRAÇO


Mais uma vez estamos nós no papel.
Eu e minha infiel caneta,
a brilhante delatora da discreta intimidade.
Deslizando, independente e segura,
sobre a superfície de pautas estreitas,
a pena, sem a mínima pena, apenas flui seu veneno.
Encouraçada pela sutileza das entrelinhas
vai rasgando o papel e a alma
como os orientais que espetam sem dor.
A velha caneta, apesar de infiel, é mesmo a velha e única confidente.
Às vezes penso que faz parte da gente,
como um membro implantado.
Uma espécie de prótese da personalidade.
Na verdade, a velha caneta e eu somos apenas um.
Um único traço de ódio e amor preenchendo os espaços.
Um único jeito de confessar as culpas de quem peca por viver.
O que a velha caneta representa pra mim
é tão somente a própria existência.
Algo como o começo, o meio e o fim.
Se hei de responsabilizá-la
pela força da tristeza e a insegurança da alegria,
assim o faço.
E com ela, eu assino embaixo.




Antonio Luiz Nilo nasceu em Santos, 
e é redator publicitário e diretor de criação
há quase 30 anos,
com prêmios nacionais e internacionais.
Circulou a trabalho por todo o país,
com paradas prolongadas em Brasília,
Belo Horizonte e Salvador.
Publicou em 1986, o livro de poemas
"Poemas de Duas Gerações", 
e, mais recentemente, o romance
"Ascensão e Queda de Pedro Pluma"
(disponível para venda em alnilo@gmail.com).
Além disso, atuou como cronista
para o diário Correio da Bahia.
De volta a Santos desde 2013,
Antonio Luiz Nilo segue sua trajetória
como diretor de criação da Agência Êxodo
e como sócio-diretor da Agência de Textos
TP - Texto Profissional.




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