Skip to main content

A BELEZA MAJESTOSA DE ISABELLE ADJANI RESISTE BRAVAMENTE AOS 60 ANOS DE IDADE

por Chico Marques

Isabelle Adjani completa 60 anos de vida neste sábado, 27 de Junho.

 Lá se vão 40 anos desde que ela foi apresentada ao público internacional através de 'Adele H", de François Truffaut. Foram quase oito anos tentando filmá-lo. No final dos Anos 60, Truffaut quase conseguiu. Jeanne Moreau seria Adele H. De repente, a produção empacou. Em meados dos 70, o filme finalmente entrou em pré-produção. Catherine Deneuve, namorada de Truffaut na época, foi escalada para fazer Adele. Mas então, ele viu acidentalmente a jovem e desconhecida Isabelle num teleteatro e ficou impressionadíssimo, tanto com sua beleza e seu vigor quanto com seu talento. Não teve dúvidas: chamou-a para fazer o papel (dificílimo) de Adele Hugo, e emplacou um sucesso internacional. Obviamente, seu namoro com Catherine Deneuve não resistiu a tantos solavancos, e acabou. Só Truffaut mesmo para fazer uma desfeita dessas com uma mulher do quilate de Catherine Deneuve...

Isabelle Adjani não era -- e não é, até hoje -- de fácil trato. Temperamental, inconstante e exigente ao extremo, ela ganhou fama por atrasar produções criando problemas difíceis de contornar. Alguns diretores, como Jean-Paul Rappeneau e Claude Miller, adoram trabalhar com ela. Outros, como Luc Besson, não querem vê-la nem pintada pela frente. Quando ela casou com o igualmente difícil Daniel Day Lewis, comentários irônicos sobre possíveis atrasos em filmes com os dois no elenco entraram rapidamente para o folclore da cena cinematográfica. 

De qualquer maneira, depois do sucesso estrondoso de "Camille Claudel" e "Rainha Margot", as idiossincrasias habituais de Isabelle Adjani passaram a ser aceitas pelos produtores. Afinal, ela havia se transformado num dos maiores produtos culturais de exportação da França. Não é pouca coisa.

Dos três filmes de Isabelle Adjani que selecionamos para hoje, dois são recentes, e um terceiro, de vinte anos atrás, pede um revisão urgente. Todos eles estão disponíveis nas estantes da Paradiso Videolocadora.

MAMUTE
(Mammuth, 2010, Gustave de Kevern)
Serge (Gérard Depardieu) acaba de completar 60 anos de idade e precisa reunir documentos para poder se aposentar. Com uma cabeleira enorme e montado em sua motocicleta Munch Mammut dos anos 70, ele inicia uma jornada em busca de seus antigos empregadores que acaba se transformando numa busca existencial. Enquanto visita os lugares onde passou sua infância e juventude, ele encontra velhos amigos, parentes e o fantasma de seu grande amor (Isabelle Adjani). Um filme delicadíssimo e pouco conhecido da filmografia de Depardieu. Isabelle está lindíssima em suas aparições. (disponível em DVD, 92 minutos)

VIAGEM DO CORAÇÃO
(Bon Voyage, 2013, Jean-Paul Rappeneau)
Um espião nazista (Peter Coyote), uma linda estudante (Virginie Ledoyen) e a amante (Isabelle Adjani) de um político (Gérard Depardieu) têm suas vidas entrelaçadas quando alguns refugiados franceses tentam escapar da ocupação alemã na França mo início da Segunda Guerra Mundial. Produção de peso, dirigida com a delicadeza habitual de Rappeneau, que também é responsável pelo roteiro. Outro filme pouco visto das filmografias de Adjani e Depardieu, que merece a sua atenção. 
(disponível em DVD, 115 minutos)

DIABOLIQUE
(Diabolique, 1996, Jeremiah S. Chechik)
Duas mulheres (Sharon Stone e Isabelle Adjani) decidem envenenar o homem que as trata como lixo, e afundam seu corpo na piscina escura. Mas quando a piscina é esvaziada para ser limpa, não há nenhum corpo por lá. As duas mulheres irão se safar desse assassinato, mas sabendo que alguém removeu o corpo da vítima e sabe a verdade sobre o que elas duas fizeram. Thriller de suspense parcialmente baseado no clássico francês de 1955 "Les Diaboliques", que não foi bem recebido pela crítica em sua estréia por conta das comparações com o original. Mas que, revisto agora, se revela um film noir com ares "camp" bastante eficiente e original. (disponível em DVD, 107 minutos)





Comments

Popular posts from this blog

VINGANÇA (um catecismo clássico de Carlos Zéfiro)

Carlos Zéfiro (1921-1992) é o pseudônimo do funcionário público carioca Alcides Aguiar Caminha, que ilustrou e publicou durante as décadas de 1950 a 1970 histórias eróticas em quadrinhos que ficaram conhecidas por "catecismos", educando sexualmente pelo menos três gerações de brasileiros das mais diversas faixas etárias. M uito antes do advento das revistinhas suecas, da Ilha do Sol de Luz del Fuego, e dos filmes de Ron Jeremy.

A SURRA DE PICA QUE MEU IRMÃO DE DEU (um conto devasso de Emmanuelle Almada)

Meu nome é Sara e sempre fui uma menina muito caseira. Morava em um sítio no interior do Rio Grande do sul, e levava uma vidinha bem pacata. Cedo pela manhã eu tirava leite das vacas, alimentava os animais e fazia comida para meu pai e meus irmãos: um de 12 e outro de 14 anos. Sempre cuidei deles. Minha mãe morreu quando ainda eram muito pequenos, e eu assumi as responsabilidades da casa, mesmo sendo ainda uma menina. Nossa casa ficava longe da cidade mais próxima e para mim era praticamente impossível sair de lá para fazer qualquer coisa, daí vivia praticamente confinada naquele lugar. Meu pai é que saía, às vezes acompanhado por um dos meus irmãos, para levar leite para alguns mercadinhos da cidade, e passavam o dia inteiro fora. Eu ficava em casa cuidando do meu irmão menor, que era muito apegado a mim, me seguia onde quer que eu fosse. Era um menino franzino, de pele pálida e cabelos lisos, negros. Eu admirava a ingenuidade daquele anjo, sempre muito prestativo e car...

DOMADA PELO SEXO (um catecismo clássico de Carlos Zéfiro)

Carlos Zéfiro (1921-1992) é o pseudônimo do funcionário público carioca Alcides Aguiar Caminha, que ilustrou e publicou durante as décadas de 1950 a 1970 histórias eróticas em quadrinhos que ficaram conhecidas por "catecismos", educando sexualmente pelo menos três gerações de brasileiros das mais diversas faixas etárias. M uito antes do advento das revistinhas suecas, da Ilha do Sol de Luz del Fuego, e dos filmes de Ron Jeremy.