Skip to main content

DE CABEÇA ERGUIDA: DRAMA CONTUNDENTE, COM A MARAVILHOSA CATHERINE DENEUVE

por Sérgio Prior
publicado originalmente em 


É inevitável que o espectador brasileiro compare o sistema para recuperação de jovens delinqüentes francês com a nossa FUNDAÇÃO CASA.

 Desnecessário dizer que talvez sejam necessárias várias gerações para que possamos nos aproximar de um modelo que tenha chances reais de recuperar os nossos adolescentes infratores.

 E mesmo com um sistema mais aperfeiçoado o trabalho é duríssimo, e por vezes, frustrante.
 O roteiro do filme que abriu o festival de Cannes deste ano retrata o cotidiano de uma juíza de direito da infância, Sra. Blaque (Catherine Deneuve) e de uma família disfuncional, composta por Malony (Rod Paradot), sua mãe e seu irmão.

 Uma mãe que engravidou jovem demais, usuária de drogas, com vários parceiros sexuais, que não dá a atenção devida aos seus filhos, assim como não deve ter recebido dos seus pais.

 Alguém já ouviu esse tipo de história?

 Coube à juíza, com os atributos fundamentais para a sua atividade profissional (autoridade, bondade e bom senso) acompanhar a infância e a adolescência de Malony.

 Não é na escola que Malony vai ter sucesso, outrossim no roubo de carros.

 Suas diversas infrações e sua violência verbal e física acabam por levá-lo à prisão.
 A grande lição do roteiro de Emanuelle Berçot é a dificuldade que qualquer sistema terá para recuperar jovens, mas a perseverança que deve permear o judiciário.

 Em poucas palavras, há que se fazer todo o esforço possível, sabendo que invariavelmente ocorrerão deslizes.

 Se nós "julgarmos" os jovens como irrecuperáveis antes que muito seja feito, estaremos fadados a ser uma nação de deserdados, jogados à sua própria sorte, que irão naufragar mais cedo ou mais tarde.

 O chavão é o mote do filme: sem educação não há salvação.

 Pode até ser que a diretora tenha defendido exageradamente as cores da justiça francesa.

 Sem educadores, sem justiça e amor não haverá salvação.

 Ergamos as nossas cabeças, caros leitores.
DE CABEÇA ERGUIDA
La Tête Haute
(2015 - 120 minutos)

Direção e Roteiro
Emmanuelle Bercot

Elenco
Catherine Deneuve
Sara Forestier
Benoit Magimel
Rod Paradot
Diane Rouxel
em duas sessões:
Domingo (14 de Junho) 17:20 horas
Quarta (17 de Junho) 13:30 horas 
Festival Varilux de Cinema Francês
Sala 2 do Cinespaço Shopping Miramar




Comments

Popular posts from this blog

VINGANÇA (um catecismo clássico de Carlos Zéfiro)

Carlos Zéfiro (1921-1992) é o pseudônimo do funcionário público carioca Alcides Aguiar Caminha, que ilustrou e publicou durante as décadas de 1950 a 1970 histórias eróticas em quadrinhos que ficaram conhecidas por "catecismos", educando sexualmente pelo menos três gerações de brasileiros das mais diversas faixas etárias. M uito antes do advento das revistinhas suecas, da Ilha do Sol de Luz del Fuego, e dos filmes de Ron Jeremy.

A SURRA DE PICA QUE MEU IRMÃO DE DEU (um conto devasso de Emmanuelle Almada)

Meu nome é Sara e sempre fui uma menina muito caseira. Morava em um sítio no interior do Rio Grande do sul, e levava uma vidinha bem pacata. Cedo pela manhã eu tirava leite das vacas, alimentava os animais e fazia comida para meu pai e meus irmãos: um de 12 e outro de 14 anos. Sempre cuidei deles. Minha mãe morreu quando ainda eram muito pequenos, e eu assumi as responsabilidades da casa, mesmo sendo ainda uma menina. Nossa casa ficava longe da cidade mais próxima e para mim era praticamente impossível sair de lá para fazer qualquer coisa, daí vivia praticamente confinada naquele lugar. Meu pai é que saía, às vezes acompanhado por um dos meus irmãos, para levar leite para alguns mercadinhos da cidade, e passavam o dia inteiro fora. Eu ficava em casa cuidando do meu irmão menor, que era muito apegado a mim, me seguia onde quer que eu fosse. Era um menino franzino, de pele pálida e cabelos lisos, negros. Eu admirava a ingenuidade daquele anjo, sempre muito prestativo e car...

DOMADA PELO SEXO (um catecismo clássico de Carlos Zéfiro)

Carlos Zéfiro (1921-1992) é o pseudônimo do funcionário público carioca Alcides Aguiar Caminha, que ilustrou e publicou durante as décadas de 1950 a 1970 histórias eróticas em quadrinhos que ficaram conhecidas por "catecismos", educando sexualmente pelo menos três gerações de brasileiros das mais diversas faixas etárias. M uito antes do advento das revistinhas suecas, da Ilha do Sol de Luz del Fuego, e dos filmes de Ron Jeremy.