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"BEIRA-MAR": MAIS UM FILME NACIONAL SOBRE HOMOSSEXUALISMO JUVENIL, E NADA MAIS.

por Franco Alencastro
para Cinema na Rede


Na constelação do recente cinema brasileiro, podemos observar dois tipos de filmes que têm como temática a juventude: de um lado, filmes mais comerciais, cheios de som, cores e vocabulário modernoso, que evocam as descobertas e as novas liberdades da adolescência, como Desenrola, Confissões de Adolescente e O Diário de Tati; do outro, temos longas mais contemplativos, cuja força reside nos diálogos ‘crus’ e seu retrato supostamente realista da juventude. Nesse campo, temos As Melhores Coisas do Mundo, Os Famosos e Os Duendes da Morte, e, agora, Beira-Mar, de Filipe Matzembacher e Marcio Reolon. Como outros filmes nessa lista, Beira-Mar trata do desabrochar da sexualidade, nesse caso, do desejo do jovem Tomaz pelo seu amigo Martin (papéis, respectivamente, de Maurício José Barcellos e Mateus Almada), e a confusão e distanciamento que isso provoca entre os dois.


Quando o pai de Martin pede que busque um documento junto à amigos de família em um sonolento balneário em baixa estação (um fiapo de trama que mal disfarça sua trivialidade), Tomaz o acompanha. O tédio da viagem tem como painel o cenário frio e chuvoso do balneário, e uma paleta de cores cinzenta que reforça o clima de isolamento e solidão que caracteriza os personagens e que todo jovem conhece bem. É nesse cenário desolador que Tomaz, depois de contatos infelizes com o sexo oposto, irá ganhar confiança.


A atmosfera autoral do filme conduz, no entanto, a alguns equívocos. A insistência do diretor em filmar os personagens de costas, sem dúvida para enfatizar a sensação de distanciamento, também atrapalha a identificação com os personagens. A câmera treme muito em diversas cenas, a ponto de se tornar uma distração. Finalmente, o grande erro do filme é confundir introversão com apatia, com nossos dois personagens principais iniciando conversas incapazes de provocar alguma emoção discernível no outro, o que prejudica o diretor quando ele tenta mostrar o vínculo emocional entre os dois. A falta de carisma dos atores transforma cenas que poderiam ser cheias de ternura em festivais de muxoxos blasés. 


Longa de estréia da dupla Filipe Matzembacher e Marcio Reolon, Beira-Mar tem referências nacionais e internacionais – notavelmente, os longas Praia do Futuro e Azul é a Cor Mais Quente (Tomaz, inclusive, pinta o cabelo de azul em uma cena). No entanto, o que a dupla parece não ter aprendido com esses filmes é que é possível explorar a solidão e incompreensão dos sentimentos amorosos sem perder a intensidade e o calor das relações retratadas na tela. Fica uma lição para os jovens diretores.


BEIRA-MAR
(2015, 93 minutos)

Direção e Roteiro
Filipe Matzembacher
Marcio Reolon

Elenco
Mateus Almada
Maurício José Barcellos
Elisa Brites
Francisco Gick
Fernando Hart
Irene Brietzki

em cartaz no Cinespaço Miramar Shopping


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