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2 OPINIÕES SOBRE "O VALE DO AMOR", COM ISABELLE HUPPERT E GERARD DEPARDIEU


DEPARDIEU E HUPPERT:
CONTIDOS, MAS EXUBERANTES
EM "O VALE DO AMOR"
por Carlos Cirne
para Colunas & Notas


Um filme estrelado por Isabelle Huppert e Gérard Depardieu, dois dos maiores atores franceses – que não apareciam juntos em cena desde “Loulou” (1980) de Maurice Pialat -, já é em si um ponto de interesse. E o interesse aumenta quando se sabe que o roteiro e a direção ficaram por conta de Guillaume Nicloux, o mesmo do instigante “A Religiosa” (2013), também estrelado por Huppert.

E é justamente este o caso do belo e melancólico O Vale do Amor (Valley of Love, 2015), onde Isabelle e Gérard (sim, o nome dos personagens é o mesmo dos atores), depois de receberem cartas de seu filho, o jovem fotógrafo Michael – que se suicidou seis meses antes -, devem visitar a região do Vale da Morte, na Califórnia, a pedido dele. O curioso é o teor das cartas: numa espécie de apaziguamento dos pais, Michael afirma categoricamente que, no Vale da Morte, eles o reencontrarão. Fisicamente?

Os dois partem então em uma espécie de peregrinação por vários pontos da desolada paisagem da região, previamente determinados pelo filho. E esta jornada os levará além do ponto em que realmente estimavam chegar. Em suas longas conversas e silêncios, vão ajustando sua relação que, apesar da separação, nunca foi beligerante, pelo contrário. Ainda se amam, apenas não estão juntos.

O interessante do roteiro de Nicloux é a inversão do papel tradicional de pai e mãe, colocando Gérard como o pai presente na vida do filho, e Isabelle como a mãe que se distanciou, e precisa de informações que preencham o vácuo que a distância formou. Ela constantemente inquire Gérard sobre pequenos detalhes sobre o filho, sua saúde, seu parceiro, ou qualquer outra coisa que possa tê-lo levado ao suicídio, que ela não consegue entender. Não que o pai tenha estas respostas...

Em atuações muito discretas, num filme que poderia muito bem ser montado como um espetáculo teatral, Isabelle Huppert e Gérard Depardieu estão particularmente bem, numa sintonia impressionante. Sim, eles se conhecem há muito tempo, e muito bem. Numa montagem em que estão praticamente só os dois em cena, o tempo todo, poderiam muito bem ter sido aquele casal, e Depardieu certamente sabe da dor da perda de um filho jovem. Contidos mas exuberantes, dão razão ao título do filme, ao transformar o Vale da Morte num vale de amor. Não perca!



UM FILME MELANCOLICAMENTE NECESSÁRIO
por Davi Gonçalves
para CCine 10

Sutilmente protagonizado pelos astros franceses Gérard Depardieu e Isabelle Huppert, O Vale do Amor acompanha um pai e uma mãe, divorciados, que se reencontram após muito tempo em uma viagem ao Death Valey, nos EUA, a pedido do filho que lhes escrevera uma carta antes de se suicidar. Durante a estadia, eles discutem a relação e refletem sobre o passado, enquanto enfrentam no presente a própria dor causada pela morte do filho.

Dirigido por Guillaume Nicloux (do elogiado A Religiosa, de 2013), O Vale do Amor não é um filme para qualquer um. Com um desenvolvimento lento e angustiante, porém correto, o longa parece, a princípio, ser tão “desnorteado” quanto seus protagonistas: eles estão ali à procura de respostas para seu sofrimento. Cada um deles, entretanto, reage de uma forma particular: suas razões não são as mesmas e os conflitos nascem daí, através de diálogos emocionalmente carregados que nos fazem sentir a dor destes personagens como se fôssemos nós mesmos quem tivéssemos perdidos um ente próximo, ou pelo menos nos colocar no lugar deles, mas mantendo certa distância. Assim, não há julgamentos morais e isso torna a fita extremamente valiosa.

Triste, poético, etéreo – esses podem ser alguns dos adjetivos que me vêm à cabeça quando penso em O Vale do Amor. É um filme sobre o luto, mas não sua superação e sim sua dor. Ela não passa facilmente (quando passa), ela machuca, corrói e, na maioria das vezes, não tem explicação, como boa parte das coisas em nossa existência. As feridas nem sempre podem ser saradas, mas o tempo não para e a vida continua. É estranho pensar assim? Sim, mas é provavelmente por isso que O Vale do Amor não tenha um final feliz. Com atuações acima da média e uma fotografia bastante atraente, O Vale do Amor nos convida à uma interessante reflexão sobre os traumas do luto, com um argumento rico e competente para tornar este um filme melancolicamente necessário.



O VALE DO AMOR
(Valley of Love – 2015 - 91 minutos)

Roteiro e Direção
Guillaume Nicloux

Elenco
Isabelle Huppert
Gérard Depardieu
Dan Warner
Aurélia Thiérrée
Dionne Houle


em cartaz no Cinespaço Miramar Shopping



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