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O FILME DA SEMANA TRAZ GEORGE CLOONEY DIRIGINDO UM ROTEIRO DOS IRMÃOS COEN.

por Manuel Mann


"Suburbicon", o sexto filme de Clooney como realizador, é o nome de um idílico bairro residencial, com quintais, cercas de madeira e crianças a jogar basebol. Na entrada de cada casa, está estacionado um Chevrolet ou um Oldsmobile. O familiar universo americano, em plena prosperidade, oculta uma história de segregação racial e de mafiosos que serve de pano de fundo para uma narrativa sangrenta.

O protagonista, Gardener Lodge, interpretado por um Matt Damon mais corpulento que de é costume, vive com a sua mulher, Rose, a sua cunhada, Margaret, e o filho, Nicky. Lodge enfrenta problemas financeiros, Rose culpa-o pelo acidente que o deixou na cadeira de rodas e Margaret inveja a vida da irmã.



Mas não são as tensões familiares o foco do filme, que mostra o caos instaurado após um assalto, em que dois homens matam Rose. E esse evento desencadeia uma série de situações inusitadas a envolver uma mistura de luxúria, avareza e burrice, vistas pelos olhos do pequeno Nicky.

Outro eixo do filme são os Meyer, uma família de vizinhos negros. Enquanto Nicky comemora a amizade com o filho deles, Andy, o resto do bairro não é tão acolhedor, e a família chega a ser impedida de sair de casa, alvo de manifestações que querem expulsá-los do bairro.


A sinopse, o elenco, a justaposição da pacatez dos subúrbios com tons mais sombrios não enganam: o filme foi escrito por pessoas com quem Clooney tem vindo a colaborar ao longo dos anos: Joel e Ethan Coen. Isto apesar de Clooney e Grant Heslov, seu parceiro de escrita e produção, também estarem creditados com o guião.

Também há claramente ecos de Steven Soderbergh, com quem Clooney e Damon já trabalharam extensivamente. 
Um dos produtores, além de Clooney e Heslov, é Joel Silver, que é, desde a segunda metade dos anos 1970, um dos mais prolíficos produtores de êxitos de acção e crime de Hollywood, com as sagas "48 Horas", "Arma Mortífera", "Assalto Ao Arranha-Céus" ou "Matrix" no currículo.


Clooney garantiu que queria desconstruir a visão idealizada de uma época da história americana que costuma ser apresentada, sobretudo por Hollywood, como uma era de ouro, repleta de prosperidade e esperança.

"Era possível conseguir um bom emprego, morar num bairro agradável e começar uma família, desde que se fosse branco", disse o realizador de 56 anos.

"O que é divertido é desmontar essa fachada de vida doméstica perfeita e ver como as coisas podem ficar feias".

Clooney inspirou-se na história real dos Meyer, a primeira família negra a instalar-se em Levittown, no estado da Pensilvânia, em 1957.

Como mostra o filme, na sua primeira noite no bairro, 500 pessoas foram ao jardim deles com bandeiras confederadas e cruzes em chamas.

"Quando vemos um filme tratar de raça e intolerância nos anos 50 ou 60, é quase sempre no sul", refletiu Clooney.

"Estamos acostumados a pessoas com sotaque do sul a usar aquela linguagem, mas, para alguém que é do Kentucky, como eu, é importante discutir se essas pessoas não são os bodes expiatórios dos moradores da Pensilvânia ou de Nova Iorque", questionou o cineasta.



Detalhe curioso: trata-se de um roteiro antigo escrito em 1986, logo a seguir a "Blood Sample", primeiro filme de Joel & Ethan Coen, e foi anunciado nestes moldes, com Clooney a realizar, em 2005.


Só agora, 12 anos mais tarde, "Suburbicon" vê a luz do dia -- ou melhor, o escurinho das salas de cinema.

Não deixem de ver.


SUBURBICON
(2017, 105 minutos)

Direção

George Clooney

Roteiro

Joel & Ethan Coen
Grant Heslov
George Clooney

Elenco

Matt Damon
Julianne Moore
Oscar Isaac
Noah Jupe
Glenn Fleshler

Cotação

EM CARTAZ:
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