“Todo patrão é filho da puta”. ( Graciliano Ramos) Entrei em propaganda pela porta da frente: na velha Salles Inter-Americana, ainda na Rua Teixeira da Silva, em 1972. Certo dia, no meio de um bate papo sobre as agências da moda, alguém do estúdio me disse que a tal de Gênio era ótima, mas que o dono, Gênio, era louco. De pedra. Discordei. Fácil. Onde se viu um maluco criar uma agência espetacular como a Gênio Propaganda? Pensei em minha avó Joana, mineira de Uberaba, dizendo, matreira: “É louco, mas não rasga dinheiro.” Primeira impressão. Um ano depois, conheci a fera insana. De perto. Indicado por um parente, cliente fortíssimo da agência, fui lá pedir estágio na Criação. Cheguei às 10 da manhã. A recepcionista logo me levou até uma sala, onde um homem, de maiô, tomava banho de sol. Com uma arma na cintura. Era Gênio. Lógico. A primeira impressão é a que fica. Para sempre. A minha foi a de que ele não era pirado, mas um oportunista. Nato. Gênio...
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