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MANGIA CHE TE FA BENE INDICA OS MELHORES BOLINHOS DE BACALHAU DE SANTOS

por Chico Marques Santistas são criaturas muito pitorescas, para usar um eufemismo que não soe muito desagradável. É rara a esquina em que algum botequim não se autoproclame como responsável pelo "melhor bolinho de bacalhau de Santos"  Aí você senta para experimentar e... surpresa! Quase sempre a "iguaria" não passa de um bolinho de peixe excessivamente salgado e criminosamente seco. Como explicar que uma cidade de origem portuguesa como essa produza bolinhos de bacalhau tão desqualificados? A resposta talvez esteja nas tradições culinárias originais da cidade, que se dissiparam com o passar dos anos e das gerações, e com a migração nordestina que -- sabiamente ou não -- adequou pratos tradicionais portugueses ao seu paladar. Se bem que a resposta também pode residir na obtusidade de certos donos de botequins que, a pedido de frequentadores mais obtusos ainda, retiraram a batata da receita original dos bolinhos e acrescentaram farinha, muita farinh...

CUIDADO COM ESSAS TRADIÇÕES DUVIDOSAS DA BAIXA GASTRONOMIA SANTISTA

Toda cidade que cultiva um sentimento bairrista -- Santos não é exceção -- costuma glorificar aspectos de seu dia a dia para forjar uma identidade local. É um processo que, mesmo quando fomentado por alguém diretamente interessado em promover uma determinada coisa, acaba ganhando vulto naturalmente, no boca a boca.  Na baixa gastronomia, sempre muito democrática e acessível a todos, essa tendência atinge um grau de convencimento muito alto e, com isso, jovens tradições acabam virando verdades absolutas entre a população, ainda que muitas vezes sem o devido merecimento. No Rio de Janeiro, por exemplo, temos o caso dos Camarões Empanados da Confeitaria Colombo, que são vendidos como iguarias e custam os olhos da cara, quando, na verdade, são apenas camarões empanados comuns. Quem os promoveu a iguarias muitos anos atrás, com certeza exagerou. Mas, paciência: agora já foi. Em São Paulo, outro exemplo: os Sanduíches de Pernil do Estadão. Existem pelo menos 50 bares na...

LOURENÇO MUTARELLI, WILD TIGER (por José Luiz Tahan)

Aqui nos meus armarinhos, revezo os trabalhos de livreiro, produtor de eventos, editor e o que vier pela proa. Um dos trabalhos mais legais é o de produzir encontros com escritores. Gosto tanto que criamos um festival a tarrafa literária. E foi em um desses eventos que conheci Lourenço Mutarelli. O nosso santo “bateu”, como diz o ditado. Figura de enorme talento, do mesmo tamanho de sua sensibilidade, o homem acumula os rótulos de desenhista e ator. É dele “O Cheiro do Ralo”, romance escrito em incríveis cinco dias. Depois adaptado para o cinema, motivado por um de seus leitores, o ator Selton Mello. Nesses dias de festa, passo o máximo de tempo com o convidado. A ideia é conhecê-lo de perto e, a partir daí, ter mais elementos e intimidade para a palestra noturna, na qual enfrento a plateia como mediador do autor. Fomos almoçar num misto de boteco e restaurante português, o Último Gole, que fica numa quase esquina, perto da praia do Gonzaga. Estava um pouco apreens...