Quatro horas da manhã. Deveria ter acordado às duas, mas nem dormi. A adrenalina me mantém acordado. Em frente ao galpão, verifico que não há guarda. É só decidir como entrar. Não há ninguém na rua, apenas um carro ou outro que passa e quem dirige não quer saber o que acontece na calçada. Mexo na porta de ferro, não sabendo como entrar, e eis que a resposta está dada. A porta não está trancada. Viria a saber depois que nunca esteve. Só que ninguém antes sequer havia tentado. Em cima da porta, bem claro, o aviso não é economicamente convidativo: livros. Abro o suficiente para entrar. O carro que arranjei, parado no lado de fora, é um furgão. Uma amiga está ao volante. Não tenho carta de motorista mais, não costumo quebrar a lei... é realmente antagônico tudo isso. Pego um carrinho emprestado dentro do galpão, começo a ver os títulos dos livros que estão à disposição ali, a pegar caixas e pôr no carrinho. A leva não salvará todos eles. Os livros, minha mente nervosa fantasia, gemem. ...