O beijo caloroso de raios de sol a banharem um corpo relaxado numa tarde de verão, a segurança sentida ao ouvir uma voz paternal proferir palavras de conforto, a excitação do desejo sexual, o fulgor que acompanha o desabrochar do primeiro amor, a dor que acompanha memória de uma alegria perdida nas águas do passado – todas estas sensações desafiam a documentação, para nada dizer da descrição verbal ou discurso analítico. No entanto, tal dificuldade não dissuadiu o realizador Luca Guadagnino de as tentar cristalizar em cinema com o seu mais recente filme, uma adaptação do romance de André Aciman intitulado “Me Chame Pelo Seu Nome”. O maior mistério de todos é como é que o cineasta italiano conseguiu fazer isso mesmo, criando um dos romances cinematográficos, dos últimos tempos, mais loucamente inebriados no poder imersivo do cinema e seu potencial para funcionar como uma máquina de empatia. A ação situa-se principalmente no verão de 1983, no norte de Itália, onde o diret...
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