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Showing posts with the label Carlos Eduardo Motta

CAFÉ & BOM DIA #80 (por Carlos Eduardo Brizolinha)

Sarah Bernhardt bordou flores no texto para teatro de Alfred de Musset. Graças a ela a peça de Musset foi encenada muito embora ' Lorenzaccio ' tenha recebido uma enxugada para reduzir seus 5 atos mais epilogo. Peça escrita no ano de 1833, ano em que escreveu mais duas peças de teatro e encenada em 1896. Ninguém ousava montar a peça pelo alto grau de dificuldade na montagem com também pela complexidade do personagem principal Lourenço de Médici. Armand D'artois fez a adaptação e Sarah subiu ao palco no papel masculino de Lourenço. Não foi o primeiro papel masculino de Sarah que já houvera representado personagens de Moliére, Racine, Rostand entre outros, mas foi Lorenzaccio o ponto mais alto de sua expressiva carreira muito embora tenha sido peça de curta permanência. De Musset não fez um teatro fácil, popular e nesta peça construiu diálogos que exige muita atenção pela quantidade de personagens em torno dos centrais. Musset nos dá clima shakespereano a medida que Lo...

CAFÉ & BOM DIA #79 (por Carlos Eduardo Brizolinha)

Harold Bloom me causa arrepios. Li anos atrás motivado por uma pessoa que respeito, também por ser crítico literário respeitado e referendado por cadernos de literatura. Não me decepcionou, mas não me surpreendeu. Antes de ler Bloom havia lido David Denby que embora seja crítico de cinema, no livro "Grande Livros" volta para a Universidade de Columbia para fazer o mesmo curso de Letras Clássicas que havia feito 30 anos antes. Pude então acompanhar o programa de formação que abre com Homero passa por Safo, Platão, Aristóteles, teatro grego, Virgílio, os grandes da Idade Média e o passeio termina com Beauvoir e termina em Virgínia Woolf. Há uma lista de leituras como apêndice que não incluí ninguém da América latina, África, Oriente Médio e Ásia. Sinceramente os arrepios que “O Cânone Ocidental” me causou pelo anglicanismo, afinal Bloom é professor em Yale, não me causou em “O Cânone Americano”. Não é uma história da literatura americana, fala do que considera espinha do...

CAFÉ E BOM DIA #44 ESPECIAL DE NATAL (por Carlos Eduardo Brizolinha)

No fronti-hospício do inferno o "Deixai toda esperança ó vós que entrais" em A Comédia de Dante, "O homem comum, que não tem qualquer domínio de seu mental, torna-se escravo de imagens e pensamentos que tomam sua mente e passam por seu cérebro como uma turba enfurecida", - Quem aqui entra, faz-me uma honra; quem não entra - um prazer".- F. Nietzsche, em A Gaia Ciência. Dinâmica de solidão sociável altamente recomendável pra quem, como eu, tem dificuldades crônicas para relacionamentos sem valor. por exemplo, a péssima inclinação de projetar na fulana da esquina modelos perfeitos de pessoa com quem seria bom estar e me livrar quiçá do fardo de, por maior que me queira para o mundo, ser sempre pequeno para mim. Quando o sonho arruína, a dor é tanto maior porque, não é o fulano da esquina que se escafedeu ou se revelou, foi meu ideal que "tragicamente" foi derrotado. Esse excesso de tragédia me irrita, por isso, creio, minha empatia com o Nietzsch...