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Showing posts with the label Eduardo Vieira

CAETANO E AS NOVELAS (uma crônica de Eduardo Vieira)

Não sei se Caetano Veloso gosta de novelas, entretanto sei que “Caetanamente” falando, gosto que as músicas dele ou cantadas por ele estejam nas nossas obras. Contudo não me atrevo a tentar situar de modo cronológico a presença desse grande compositor e intérprete no vasto mundo noveleiro. A primeira música que sempre me vem à cabeça é a que tocava na abertura de “O Homem Proibido” que estranhamente foi substituída por uma versão instrumental. A letra sobre a submissão e visões de um mesmo amor cabia perfeitamente ao triângulo de Nelson Rodrigues, as duas mulheres aos pés da virilidade do personagem de David Cardoso. Um pouco antes recordo de uma canção que sabia toda, mesmo sem lê-la, que falava de uma mulher, de unhas negras e íris cor de mel, tema da desbocada e destemida Cintia Levy, personagem de Sônia Braga em Espelho Mágico, que galgava o seu estrelato de modo não muito ético, desta vez a música era cantada pela voz emprestada à persona de Sônia na época, Gal Cos...

A DANÇA DAS MOCINHAS (uma crônica de Eduardo Vieira)

Ser mocinha nas novelas de hoje não está nada fácil. A esta não é permitido mais ser moldada como personagens oriundas de histórias do século passado (que foi ontem), nem podem mostrar um comportamento que não seja esperado do que sabemos sobre as heroínas. Os autores estão tendo de encontrar um meio termo pra esse tipo de personagem. Janete Clair conseguia construir esse tipo de mulher muito bem em suas novelas: Gloria Menezes em ‘Irmãos Coragem’ sabiamente foi construída com várias camadas de personalidade, quando achávamos Lara meio sem graça, logo aparecia Diana - sua antípoda, uma mulher à altura do movimento que o ritmo da novela propunha. Durante algum tempo tivemos mocinhas frágeis como pedia a sociedade de uma determinada época, mas quase nunca não agentes das tramas. Entretanto vemos, por exemplo, em ‘Locomotivas’, de Cassiano Gabus Mendes, o advento da mocinha um tanto vilanizada - feita por Lucélia Santos depois da doce Isaura, um papel ba...

GILBERTO BRAGA E A MODERNIDADE DAS NOVELAS? (por Eduardo Vieira)

Toda vez que se comenta sobre modernidade na teledramaturgia, vemos o velho e autêntico exemplo de Beto Rockfeller , novela de Bráulio Pedroso contando como um marco sobrepondo-se à maneira antiga de se fazer o gênero, com seu universo de condes, reis e princesas. Antes da novela de Bráulio, Lauro César Muniz já havia tentado traduzir o estilo de vida brasileiro por meio de obras como Ninguém Crê em Mim , com falas mais de acordo com nosso tempo. Uma vez consolidada esse tipo de linguagem, com a qual o povo já mantinha uma grande identificação, o que fazer para que as tramas evoluíssem assim como a sociedade que a assistia? Sabemos que na vida real, cada vez menos real, a meu ver, pois somos seres moldados também pela ficção, aconteciam coisas que não podiam ser retratadas nas novelas, refúgios dos brasileiros dos problemas do cotidiano, tendo até hoje uma pecha de serem obras de alienação da vida social. Contudo, o bloqueio desse preconceito foi furado por intelectu...

DE ONDE SURGEM TANTOS ATORES? (por Eduardo Vieira)

Temos visto ultimamente, cada vez mais rápido, nomes que surgem a cada trabalho teledramatúrgico. Alguns bem talentosos, outros nem tanto. Desde sempre houve atores novos que foram surgindo no decorrer da nossa teledramaturgia de todas as emissoras. Não podemos esquecer que a grande dama da televisão, Regina Duarte, por exemplo, começou na publicidade e logo depois, foi convidada por Walter Avancini para um papel importante de coadjuvante em  A Deusa Vencida , novela de Ivani Ribeiro, ainda na TV Excelsior, ao lado de nomes já consagrados como Tarcisio Meira, Glória Menezes e Karin Rodrigues no elenco. Nos anos 70, no auge da Rede Globo, houve um programa que tentou uma renovação dos atores de televisão. Comandado pelo cantor e apresentador Moacyr Franco, que dividia o palco com a atriz Pepita Rodrigues, ia ao ar aos domingos o  Moacyr TV , um concurso que promovia a atores que queriam fazer televisão, oportunidades de conseguir papéis nas novelas da casa. ...

REVENDO A PRIMEIRA TEMPORADA DE "MAD MEN", UMA OBRA PRIMA DA TV

É chover no molhado dizer que os seriados americanos, erroneamente ainda chamados no geral por alguns desinformados de enlatados, justamente por serem dos Estados Unidos, estão num momento excelente. Há seriados para todos os gostos. É bom diferenciá-los das minisséries, com começo, meio e fim e ainda dos sitcoms, os quais exibem como os seriados, temporadas, mas diferenciam-se desses por serem sempre em cenários mais marcados e como diz o nome, apresentar elementos da comédias de costumes, do modo de vida americano, ainda que um tanto esteriotipados, salvos algumas exceções, desde os geniais Mary- Tyler- Moore até o presente e popular Two and a half men. Geralmente, os seriados sofrem com o fantasma da audiência: um seriado medíocre pode cair nas graças do público e perdurar por cinco ou mais temporadas, enquanto outros interessantes, dependendo da política da emissora que o transmite às vezes não passa de uma primeira. Venho falar de um veiculado pelo canal HBO, q...