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ANO III, O RESGATE (uma crônica de Marcelo Rayel Correggiari)

No próximo dia 9, esse combalido merceeiro parte para quatro ponto sete, e essa resistente Mercearia comemora seu segundo ano. Tudo numa mesma data, coincidentemente, que é para facilitar na distribuição do bolo. Naquilo que tange ao merceeiro, os dias até poderiam ser melhores, mas há de se entender que nem tudo são flores e que portas estreitas existem justamente para que delas surjam algum tipo de arte na condução das coisas. Normal. Difícil, mas normal. Complexo, mas contingencial. Alguns ovos se quebram, no metonímico, para que o bolo de aniversário presenteie as papilas gustativas dos nossos convidados. ‘E la nave va’... até gostaríamos que fosse de um outro jeito, com algum prazer mais duradouro, mas nem sempre tudo está em nossas mãos, ou temos o controle de coisas que, no frigir dos ovos (olha eles de novo, aí!), não deveriam realmente estar sob nossos prestimosos cuidados. Vale a máxima popular de que “... Deus sabe o que faz...”. Sempre seria uma baita irrespo...

SAUDAMOS OS 42 ANOS RECÉM COMPLETADOS DA MARAVILHOSA SEVILHENSE PAZ VEGA

por Chico Marques Muita gente confunde Paz Vega com Penélope Cruz. Faz sentido, pois fisicamente as duas são realmente um pouco parecidas. Ambas nasceram na Espanha – Penélope em Madrid e Paz em Sevilha –, regulam a mesma idade e são queridinhas de Pedro Almodóvar. Mas as semelhanças entre elas terminam aí. Paz talvez seja um pouco mais “encorpada” que Penélope, e talvez seja uma atriz um pouco mais cerebral e menos instintiva do que ela. O caso é que as duas são motivo de orgulho para a Espanha, pois mesmo com suas carreiras internacionais indo de vento em popa, elas insistem em continuar filmando em seu país sempre que surge um convite que valha a pena em termos artísticos. O pedigrée de Maria de La Paz Santos Trigo -- ou Paz Vega -- é quase um clichê sevilhano. Seu pai foi toureiro e sua mãe, dona de casa. Ela e sua irmã foram criadas num meio católico fervoroso e foram treinadas para ser dançarinas de flamenco. Mas Vega queria mes...

O FILME DA SEMANA É O VENCEDOR DO GRANDE PRÊMIO DO JURI EM CANNES 2017

por Bernardo Vaz de Castro (de Lisboa) para Se é certo que Cannes concedeu a Palma de Ouro deste ano ao fatídico "The Square" (O Quadrado, 2017), de Ruben Östlund, o ainda mais fatídico prémio de melhor realização a Sofia Coppola, a escolha do prémio do Grande Júri revela, contudo, um enorme sentido de justiça. Não o digo em relação a outros filmes em competição e que prometem maiores surpresas, como o "Western" (2017) de Valeska Grisebach, "Geu-Hu" (O Dia Seguinte, 2017) de Hong Sang-Soo ou o "Okja" (2017) de Bong Joon-Ho. Mas face aos vencedores deste ano, este será certamente o único filme digno de nota. Porque apesar dos seus defeitos, é um filme justo. Justo para com as vítimas do VIH, justo para com o movimento Act Up, justo para com as minorias, justo para com a História e sobretudo justo com aqueles que foram incapazes de fazer justiça quando era necessária uma resposta. E justiça não é uma qualidade que possamos encontrar en...

COLUNA SOCIAL COM BARBA E SEM BARBA (uma crônica de Ademir Demarchi)

Em Mossul, segunda maior cidade do Iraque está proibido fazer a barba. A lei foi instituída pelo grupo radical Estado Islâmico e os barbeiros que raspam ou até mesmo aparam as barbas dos homens que desrespeitam a lei também se convertem em cúmplices de um pecado. Já, em Israel, para fazer diferente, está proibido, entre os soldados, deixar a barba crescer, o que era tolerado por motivo religioso. Como os soldados têm sido flagrados fumando, a religião se esfumou com o motivo... Noutro país de cultura árabe, um grande ímã, professoral e irado avisa os radicais que é proibido cortar cabeças com barba ou sem barba, como andam fazendo, pois “O Corão ordena que quem perpetrou esse ato covarde, que vai contra a palavra de Deus, merece ser morto ou crucificado, ou que lhes sejam amputados os braços e as pernas”... Mas deixa as cabeças em paz... Já, por aqui, entreouvido numa festa: “Ela inda tem muito ciúme dele...” “Noossaa. Mas ela até já mudou de penteaado...” “Isso... Ali...

REFLEXÕES DE UM GAY CULT (por Flávio Viegas Amoreira)

Que belo convite escrever nesse sítio com tanto glamour! E precisava duma pegada caminho vereda para engatar reflexões alinhavadas do meu tempo:  teço essas linhas ouvindo Pat Metheny sob o calor senegalesco dos trópicos paulistas.... nessa virada de ano re-assisti com mesmo gozo de sempre "Os sonhadores" de Bertolucci: esse mestre me é tão familiar quanto os canais de Santos e a Vila Belmiro: gosto que me enrosco da maneira e das temáticas da obra tão eclética de Bernardo! Sim chamo-o da maneira com que beberico uma cerveja no Terminal Jabaquara com expectativa de descer a serra ouvindo Gato Barbieri. Cresci nos anos 70 sob a égide da famigerada ditadura e a mítica proibição de “Saló” de Pasolini (que assisti em 1980 no extinto Cine Indáia) e “O Último Tango em Paris”, que veria pela primeira vez em VHS nos anos 90 tão somente.... meu tesão por Marlon Brando já arrefecia e ainda ecoa permanentemente a trilha sonora que virou hit pessoal de boêmia e existencialismo t...