Skip to main content

Posts

Showing posts with the label LEVA UM CASAQUINHO 583

CONHEÇA A PROGRAMAÇÃO COMPLETA DO RIO SANTOS BOSSA FEST

MAIS INFORMAÇÕES AQUI

O HORROR... O HORROR... O HORROR... (por Alvaro Carvalho Jr)

Os helicópteros bombardeavam a pequena aldeia de pescadores implacavelmente ao som de Wagner, enquanto o tenente coronel Bill Kilgore, interpretado por Robert Duvall, sorria e, de revolver na cintura completamente fora dos padrões militares formais e usando um arrogante chapéu de cowboy, incentivava seus soldados a surfarem nas belas ondas das praias locais, também violentamente bombardeadas. Era a guerra do Vietnam. Essa é uma das mais impactantes cenas do consagrado (e maravilhoso...) "Apocalypse Now, filme de Francis Ford Coppola que mostra o mais negro lado da moral humana. O final antológico apresenta um Marlon Brando no papel do ensandecido Walter E. Kurtz definindo com clareza, frieza e certeza as loucuras humanas que chocam e surpreendem cada um de nós: O Horror!...O Horror! ...O Horror! Mas, e isto é uma constatação, Coppola não conseguiria criar um mundo de horrores, ou circo, pior e mais cruel do que aqueles que nossos políticos criaram e nos fazem engoli...

JOÃO e JEREMIAS - A PORRA DA HISTÓRIA (um folhetim beat de JR Fidalgo - 3ª de 16 partes)

CAPÍTULO IV A questão era que tudo ficava cada vez mais sem sentido. A cidade não fazia mais sentido, as coisas em que acreditava não muito tempo atrás não faziam mais sentido e, principalmente, ele próprio não fazia mais sentido nenhum. Não que, em algum momento até ali, as coisas chegassem a fazer totalmente sentido. Isso jamais havia acontecido. Houve, no entanto, algumas ocasiões em que sua vida parecia encaminhar-se para algum ponto de convergência, se não plenamente percebido na época, pelo menos pressentido um pouco mais à frente, perspectiva que bastava para continuar adiante. Mas agora, lá na frente, só havia uma névoa densa, muito densa e até certo ponto assustadora. Caminhar por horas pelas ruas da cidade para chegar a essa conclusão não era propriamente um resultado animador. Podia ter continuado em casa, deitado no sofá, com os olhos fixos no vaso de flores em cima da mesa. Teria concluído a mesma coisa – e se cansado bem menos. Sabia, no entanto, que o...

EU E AS BOSTAS (por Marcus Vinícius Batista)

O cabelo tingido de preto não servia mais para esconder a idade, esculpida nas rugas a uns cinco centímetros da última linha de fios. Não era uma questão de estética. Era uma forma de carinho a si mesma. O andar curvado trazia o cartão de visitas dos 85 anos. Os resmungos manifestavam a ira curtida em cansaço do mesmo serviço desde o século passado. Trabalho que não conseguia abandonar. Temia ter que aguentar o marido em casa. Tinha pavor de ficar inútil como ele e morrer. — Puta que pariu! Eu e as bostas! Dona Nilva não se referia ao companheiro de moradia, embora o odiasse desde que aprontou feio com ela há duas décadas. Convivem porque a aposentadoria de ambos mantém a casa no morro de pé. O tempo fez com que o ódio mudasse de gente. O marido ganhou de bodas de ouro a indiferença. Elas, elas sim, são as sementes do cultivo diário do asco e da fúria. E seus frutos são a única forma de Dona Nilva se aproximar da vingança. — Essas pombas, essas filh...