CAPÍTULO IV A questão era que tudo ficava cada vez mais sem sentido. A cidade não fazia mais sentido, as coisas em que acreditava não muito tempo atrás não faziam mais sentido e, principalmente, ele próprio não fazia mais sentido nenhum. Não que, em algum momento até ali, as coisas chegassem a fazer totalmente sentido. Isso jamais havia acontecido. Houve, no entanto, algumas ocasiões em que sua vida parecia encaminhar-se para algum ponto de convergência, se não plenamente percebido na época, pelo menos pressentido um pouco mais à frente, perspectiva que bastava para continuar adiante. Mas agora, lá na frente, só havia uma névoa densa, muito densa e até certo ponto assustadora. Caminhar por horas pelas ruas da cidade para chegar a essa conclusão não era propriamente um resultado animador. Podia ter continuado em casa, deitado no sofá, com os olhos fixos no vaso de flores em cima da mesa. Teria concluído a mesma coisa – e se cansado bem menos. Sabia, no entanto, que o...