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POESIA POSSÍVEL - ARMANDO FREITAS FILHO #1

Escrevo nas costas da mãe conspurcada pelo amor nas costas dos tios empertigados pela indiferença e sarcasmo na cara dos primos exemplares reescrevo, corrijo, fazendo pressão com o lápis rombudo para marcar minha dissidência na família programada, mas sob os olhos sérios do pai que me desencurva, e apoia mesmo desconfiado em palavra explícita para não frisar demais sua intenção seu ódio difuso que também me atinge em forte trans fusão, consigo, comigo mesmo até alcançar a malvada consciência. Armando Freitas Filho nasceu na cidade do Rio de Janeiro em 1940. Jornalista de profissão, começou a escrever poesia a sério em 1960. Trabalhou com Estudos e Pesquisas Literárias no MEC e na FUNARTE entre 1974 e 1994 . Modernista fortemente influenciado por Bandeira, Drummond e João Cabral, Armando faz versos repletos de imagens impactantes. Segue ativo  publicando uma nova coleção de poemas...

FÁBIO CAMPOS INDICA "TODO O DINHEIRO DO MUNDO", UM DOS GRANDES FILMES DESTE ANO

“Todo o Dinheiro do Mundo” gerou polêmica antes mesmo de ser lançado, quando, às vésperas do lançamento, os produtores resolveram substituir Kevin Spacey, que fazia o papel do bilionário americano Jean Paul Getty, por Christopher Plummer. Como as denúncias contra Spacey se deram próximas ao final do ano e os produtores esperavam indicações ao Oscar, o filme só seria indicado se fosse lançado em algum cinema até 31/12 do ano corrente. Para que isso fosse possível, houve uma corrida para refilmar as cenas das quais Spacey participava. Quando li essa noticia, imaginei que participação de Jean Paul Getty se resumiria a um coadjuvante importante, mas de participação discreta. Ao contrário, Plummer tem, além de um papel importantíssimo, muitas cenas no filme. Imagino o inferno que deve ter sido recrutar todo o elenco novamente após o filme finalizado, filmar e montar novamente tantas cenas com outro ator. Pesadelos à parte, não se percebe essa pressa no filme, Plummer está ...

RUAS DE SÃO PAULO (um conto de Germano Quaresma)

Sentei pra almoçar num boteco parisiense da Barra Funda, daqueles de cadeira na calçada. Na mesa contígua, um senhor, chapéu de couro ao lado, que homem de respeito tira o chapéu na refeição, almoçava um sarapatel. Gostei da ideia, pedi um também, com Pitu. Um rapaz simplório vinha pela rua do Bosque, procurava não sei que estabelecimento, só tinha o nome da rua. Dirigiu-se ao vaqueiro: "Sô conhece a rua Geme Rola?" Ele se levantou, colocou o chapéu. "Tome vergonha, cabra safado." "Mas o homem ali falou que era essa a rua." O vaqueiro dava mais uma descompostura no rapaz quando o motorista do táxi, palito no entredentes, atravessou a conversa: "É do outro lado da Marquês, entra aqui, vira ali etc." Foi o homem perdido na direção indicada. Vaqueiro me olhou, um irmão de sarapatel e responsa, grunhiu. "Isso é rua de cabra safado." Depois de café e palito, de forma a fazer o quilo e produzir u...

EDUARDO CAVALCANTI SAÚDA EM PRÓXIMA PARADA O LP QUE VIROU DE PONTA-CABEÇA A MÚSICA BRASIILEIRA NOS ANOS 60

Eduardo Rubi Cavalcanti é jornalista desde a década de 80. Trabalhou em A TRIBUNA de Santos e em várias outras publicações.  É Mestre em Comunicação Social pela Universidade Metodista de São Paulo e leciona Jornalismo na Unisantos, onde cursou sua graduação. Publica domingo sim, domingo não, em A TRIBUNA de Santos, a página PRÓXIMA PARADA, que reproduzimos aqui.

A GRANDE VIRADA (uma reminiscência publicitária de Carlão Bittencourt)

“Não fumo, não bebo e não cheiro. Só minto um pouquinho” (Tim Maia) Uma das equipes de criativos mais talentosas jamais reunidas foi o  Dream Team . Liderada por Otacílio de Santos, aquela criação fez e aconteceu durante um tempão, numa antiga agência de São Paulo. E mais teria feito, não fosse a proposta do dono de outra super agência para que eles fossem para lá. O homem queria dar uma virada na casa. O convite era irrecusável. Primeiro, porque se tratava do reconhecimento de uma das maiores agências do mercado ao trabalho daquele grupo de criativos. Depois, porque representava um novo desafio profissional. Por último, porque a proposta financeira beirava a estratosfera. Resultado: Otacílio e o  Dream Team  toparam. Já nos primeiros dias de agência nova estavam totalmente à vontade. Criando como sempre e se divertindo como nunca. Quarta-feira, três e pouco da tarde. O grupo estava a todo vapor, às voltas com uma campanha. Otacílio ligou ...