POEMA ANTIQUÁRIO Mil folhas. Mesmo em algumas das mais passadas, um pouco do sabor, um risco de doçura e amargo, é remanescente. Anamnésia construída pelo fato e pela imaginação: vai do anátema ao enaltecimento, expressos em alta voz até ao murmúrio cifrado no coração. O acervo de uma vida se dispersará depois de ela parar: alguma coisa aqui, nesta casa, para lembrar quem se foi fica, sem roubo nem degradação, sobrando. O resto, espalhado na desordem dos arquivos dos sebos e brechós, nós defeitos na mudança para lugar nenhum perdido no limbo, reciclável em outro corpo e destino, longe do clamor da hora cada vez mais afastado do limiar original da montagem do dia, à margem do relógio rasgado por mãos alheias, posto fora o sonho, que se açucara, perde o gosto, e fere. Armando Freitas Filho nasceu na cidade do Rio de Janeiro em 1940. Jornalista de profissão, começou a escrever poesia a sér...
UMA REVISTA ACONCHEGANTE QUE VALE POR UM COBERTORZINHO