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NA VOLTA ÀS AULAS, TRÊS DVDS POUCO VISTOS POR EDUCADORES QUE MERECEM ATENÇÃO

Sempre que alguém procura filmes  sobre escolas, alunos e professores,  as escolhas são rigorosamente as mesmas.  Vão dos tradicionais "Adeus Mr. Chips"  e "Ao Mestre Com Carinho",  aos mais modernos  "Sociedade dos Poetas Mortos"  e "Clube do Imperador",  isso quando não enveredam  por algum título diferenciado,  como o documentário fake francês  "Além Dos Muros Da Escola"  ou o thriller inglês  "Notas Sobre Um Escândalo". Todas essas escolhas acima, no entanto,  falham por não conseguir propor  um novo olhar sobre o tema  que consiga fuja do lugar comum  das discussões habituais. Em todos os três filmes escolhidos  para o PARADISO TOP 3 desta semana  temos confrontos de idéias d e várias naturezas diferentes.  O primeiro filme indicado  mostra  como disciplinas aparentemente  antagônicas  devem ser sempre encaradas  pelos professores e alunos...

DENISE MARINO ASSISTIU "A FORMA DA ÁGUA" E COMENTA

Penso que gostar ou não de um filme está relacionado a sua experiência de vida. Assim, por exemplo, se você nunca se apaixonou, não assista ao Forma da Água. Claro, não falo de paixões quaisquer, dessas que, às vezes, a gente tem por simples desejo ou falta do que fazer. Falo daquela paixão descoberta e definida pelos trovadores medievais: um encontro de almas que se reconhecem pelo olhar. Nesse encontro as palavras não têm a menor importância. Importam muito mais o silêncio dos olhos que se olham e o tempo dos corpos que se tocam, pois, eles conhecem a urgência. Mas, quem nunca se apaixonou assim, não vai compreender o amor entre a faxineira muda e a criatura subaquática com o corpo coberto de escamas. Não reconhecerão sequer a metáfora. Portanto, para esses nem adianta tentar explicar. Eles irão dizer que é apenas fantasia. De qualquer modo, A Forma da Água não é somente um filme de amor. Há quem ressalte as referências ao clássico O Monstro da Lagoa Negra,...

COM RECIBO É MAIS CARO (por Marcelo Rayel Correggiari)

Esse iletrado merceeiro, até hoje, cai na boa & velha esparrela da carcomida recomendação para que se leia Balzac. Disco riscado (nos dias de hoje, ‘arquivo bugado’): “Será possível que você só recomende isso?! Deus do céu... Já deu!”. A reclamação faz sentido: porque é aquele mesmo título por décadas. Não é a leitura de uma “Eugénie Grandet” ou “A Mulher de Trinta Anos”. A recomendação, tanto literária quanto para a Vida, recai sempre em “O Pai Goriot”. A indicação frequentemente carrega certa urgência relacionada à citação de um bom exemplo daquilo que chamaríamos de modelo da ‘Literatura de Alto Giro’, ‘Alta Literatura’ e assim por diante. O mesmo valeria para “Uma Campanha Alegre” ou “O Mandarim”, do Eça, por exemplo. Num país ‘funkeiro’, ‘sertanejeiro’, ‘temerário’ e caindo pelas tabelas, chega a soar como o mais refinado pedantismo... ... mas, tudo bem... ... tudo bem, mesmo! Quem há de se ater à terrível sordidez da pensão de Mme. Vauquer, forrada de esc...

MORA NA FILOSOFIA (uma crônica de Ademir Demarchi)

Em Santos, cidade que tem o tempo de vida do Brasil, mas que não tem guias turísticos para aumentar o tamanho das estórias populares, é preciso se contentar em ouvi-las em algum buteco. Uma delas se refere à venda de cadáveres dos cemitérios para servir de estudos na faculdade de medicina. Há várias versões, algumas mais antigas, outras quase contemporâneas. Nas cidades da região têm sido comum denúncias de secretários municipais que transformam sua repartição num balcão de negócios. O de meio ambiente vende licenças ambientais, o de comércio vende alvarás, o de obras negocia contratos e as compras de materiais, assim como o de saúde cuida com atenção estetoscópica das compras de medicamentos... Daí, diz-se que um que veio um dia a administrar um cemitério, tendo ficado em desvantagem quanto ao que vender, logo achou um modo de comercializar dentes e ossos para os alunos, porém, não satisfeito, achou meio de entregar um finado fresco e empacotado para uma faculdade. Quem conta...

APROXIMANDO-SE DE "A FERA NA SELVA" (por Flávio Viegas Amoreira)

No primeiro domingo pós-folia uma experiência preciosa: assistir uma delicadíssima adaptação de Henry James e seu universo para o teatro no Brasil! Quão dissociado o palco e a literatura não fossem irmãos siameses. E a “Fera Na Selva”, que vi no sempre charmoso Centro Cultural São Paulo. É um feito ainda mais ambicioso por transpor à cena a obra dum autor denso e não tão dramatúrgico quanto Henry James. Mestre do romance e virtuoso contista, James foi alçado à categoria de gênio na tessitura estilística e rigor narrativo alçando status de teórico involuntário do distanciamento ficcional,  do discurso indireto e elaborador de personagens com ares de dissecação. Senhor de perspectiva personalíssima, deve ser considerado altura das “catedrais literárias”, como Proust e Faulkner, ampliando escopo da literatura até um projeto artístico maior de retrato da condição humana pela técnica mais apurada possível. Nos dava uma trama como deleite sem descuidar da ourivesaria. En...