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FÁBIO CAMPOS COMENTA O FILME MAIS TRISTE DO ANO: "BEAUTIFUL BOY"

Na primeira cena de Querido Menino vemos o jornalista David Sheff (Steve Carell) conversando com um interlocutor que não aparece no enquadramento, ele questiona se aquela é uma entrevista para a New Yorker e Sheff explica que não, que ele é um jornalista freelancer, mas que ele está alí por questões particulares, para entender mais sobre o vício de seu filho em drogas, especialmente metanfetamína. Existem vários filmes com o mesmo foco, mas essa é principal diferença deste filme em relação a outros. Normalmente existe um conflito de gerações, uma falta de dialogo que vai deteriorando a relação, algum fato específico, que nos tenta, como expectadores, a julgar. Neste caso, ao menos no início, não há nada disso. David é um bem-sucedido jornalista, com artigos publicados em revistas consagradas – na parede de seu escritório há uma entrevista dele com Steve Jobs para a Playboy, por exemplo. É o exemplo de pai “cool”, sempre aberto ao dialogo, surfa junto com o filho e a...

DE CARLOS ZÉFIRO PARA JAIR BOLSONARO: “Eu te sugeriria focar no rombo da previdência, tirar da reta a trolha do desemprego, e deixar a sacanagem ao livre arbítrio dos interessados”

De pornógrafo para pornógrafo, meu caro capitão, eu sou aquele do tempo em que sexo era uma coisa a se fazer apenas depois das bênçãos da santa madre igreja, com a luz apagada e nas posições regulamentares. Fora disso, pecado mortal. “Golden shower”, o vídeo pornô que você divulgou, podia ser no máximo o título em inglês para o jingle das Duchas Corona, aquele do “banho de alegria num mundo de água quente”. Ninguém sabia de nada, mas todos tinham muito medo das consequências. Meninos que se masturbavam ficavam cegos. Moças não menstruavam, ficavam incomodadas. Suruba em Noronha, nem pensar. A grande sacanagem era essa tremenda ignorância. Eu sou aquele que vivia escondido, muitas vezes dentro dos catecismos da primeira comunhão e, entre um tiro e outro na academia de cadetes, você deve ter visto minhas historinhas safadas. Eu era apenas um desenhista de quadrinhos pornográficos que por acaso, em meio às trevas, ensinou milhões de brasileiros sobre estas quatro letrinhas que ...

O ÚLTIMO POEMA (por José Roberto Fidalgo)

Vou precisar de uma lápide relativamente grande, já que, segundo meus cálculos, meu epitáfio vai ser relativamente grande. Epitáfios de uma, duas ou três frases quase nada dizem sobre quem era e o que fazia aquele monte de ossos e carne enquanto estava em cima – e não debaixo da terra, misturando-se a ela num longo processo de apodrecimento e transmutação – cósmica? Claro, se você for cremado, a coisa acontece de outro jeito. No fim dá no mesmo. Além disso, por minhas previsões, estou quase certo de que serei enterrado – e não incinerado, o que seria até um espetáculo interessante: o monte de carne e ossos se transformando, primeiro, numa fogueira, depois em fumaça e cinzas, que alguém vai guardar em vasos de formatos estranhos ou jogar ao vento de algum lugar, alguns às vezes também muito estranhos. Mas essa parte final, quando você vai à cremação de alguém, não deixam você assistir. Acontece escondido, depois que o caixão some dos olhos da gente. Estávamos, contu...

EDUARDO CAVALCANTI SAÚDA OS 50 ANOS DE VIDA FONOGRÁFICA DO LED ZEPPELIN E PEDE PASSAGEM

Eduardo Rubi Cavalcanti é jornalista desde a década de 80. Trabalhou em A TRIBUNA de Santos e em outras publicações. É Mestre em Comunicação Social pela Universidade Metodista de São Paulo e leciona Jornalismo na Unisantos, onde cursou sua graduação. Publica domingo sim, domingo não, em A TRIBUNA de Santos, a página PRÓXIMA PARADA, que reproduzimos aqui.

ROCK PARA ENTRETER O SOL (por Flávio Viegas Amoreira)

Com esse calor nenhum intelectualismo resiste ao doce far niente o som despojado dalguma bandinha cult indie solta ao vento restaurador. Canicula senegalesca abrasadora sensação de sufocamento que pede desregramento de todos sentidos e poros uma entrega radical aos sonidos que nos resgatem confiança e não sei porque cargas d’água e aja água para refrescar curto ouvir “There’s Too Much Love” do Belle & Sebastian, sorvendo frutas da estação.  Descobri que aquele lindinho filme gay brasileiro usa essa canção divina como tema: “Hoje eu quero voltar sozinho”, assistiram?  Recomendo aos estetas, aos sensíveis, aos que amam atemporalmente, faça quarenta ou 10 graus nesse litoral encantado pelos deuses da transgressão tranqüila.... Em 2019 nesse espaço do “Casaquinho” quero refletir sobre Nicks Drake e Cave, rock indie irlandês & a inserção do rock no cinema dos anos 70 onde ferveu como nunca... começo ano com um poemeto dedicado aos que sinergicamente sentem o rock f...

CITAÇÕES E OCULTAÇÕES (por Marcelo Rayel Correggiari)

A vantagem de se tocar um ‘secos & molhados’ é que há certa informalidade no tratamento de pessoas & coisas. Às vezes, era para ser leve, mas acaba não sendo. Em outras, há peso, mas se procura alguma leveza. O ‘mundão-de-meu-Deus’ não está para brincadeiras: show de ódio, raiva, xingamentos, intemperâncias, intolerâncias... e mais uma dúzia de péssimos sentimentos. Em todas, uma espécie de ‘cagaço monumental’ contra as quase sempre costumeiras (e frequentes!) má-interpretações. Os conteúdos não andam sendo o mais simples dos mundos. Logo, é preciso dar um jeito na bagaceira-transgênica para que a ópera não saia do tom. Numa avalanche de informações diárias, há de se concordar que a ‘caozada’ se avizinha (fake news!). Em alguns casos, com o claro objetivo de destruir, por completo, a reputação de uma pessoa. Contra isso, andam pintando, aqui e acolá, tentativas de se dar autoria aos conteúdos. A primeira abordagem sempre recai sobre as questões de ‘copyrigh...