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REQUIEM PARA MARCIO CALAFIORI (parte 1)

Conheci Marcio Calafiori há 16 anos, por aí. Eu morava em frente à Universidade Santa Cecília, onde ele trabalhava como professor. Eu estava recém-despejado de meu primeiro casamento, e condenado a continuar morando sozinho no mesmo apartamento onde fui casado por alguns anos. Não era uma situação de todo ruim. Mas às vezes a solidão virava um grande incômodo. O jeito era ir para a rua. Passava uma ou duas horas da manhã conversando com meu amigo Paulinho, dono da banca de revistas ao lado da Universidade, e com alguns de seus clientes matinais. Márcio era um deles. Figuraça. Três anos mais velho que nós dois. Jornalista de coração e de alma, com uma longa carreira pelas costas, muitas histórias pitorescas em seu curriculum e passagens por várias cidades onde também morei. Naquela altura da vida, Márcio já estava há tempos longe das redações, e se dedicava a formar novos jornalistas. Memorizei os dias da semana e os horários em que ele tinha “janelas” em sua grade de aulas na ...

REQUIEM PARA MÁRCIO CALAFIORI (parte 2)

UM POEMA PÓSTUMO COM O CRIVO DO HOMENAGEADO (por Alex Sakai) O poema a seguir foi escrito para Márcio Calafiori em 2009, quando me disseram q ele tinha falecido. Aí eu soube que era tudo mentira e mandei o poema pra ele. Ele revisou as rimas e me devolveu o poema. Foi a primeira vez em que um poema póstumo foi revisado pelo defunto.  NOITE FRIA DA ALMA (para Márcio Calafiori)                                                                  As noites frias da ilha São tempo de desalento e solidão. O silêncio entre as vagas, Voltando ao continente, São suplícios de insone calar. Nada dos telúricos meneios de outrora. Nenhum son...