“Pergunto a mim mesmo se uma recordação é algo que se tem ou algo que se perdeu”, diz Woody Allen no filme “A outra”, de 1988, um drama psicológico que tem por personagem uma professora que se licencia da universidade para escrever um livro. Para isso, ela se muda para uma casa onde teria a solidão e o silêncio necessários. No entanto, começa a ouvir pelo sistema de ventilação as conversas da casa ao lado, de uma outra mulher, grávida, em crise consigo mesma, que fala ao seu psicólogo sobre sua falta de sentido para viver. Não é essa, porém, “a outra”, pois as conversas ouvidas pela escritora parecem vir dela mesma na medida em que começa a se lembrar de quem foi no passado e esqueceu. É essa a “outra” que reaparece no presente colocando novos desafios para a escritora. A constatação desse esquecimento é que motiva uma tal indagação sobre o que seria uma recordação e a memória e as respostas que se tem sobre isso é que dão o tom do filme: aquela outra esquecida no passado vo...
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