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Showing posts with the label RESENHAS AO LÉU

PHILIP ROTH COMENTA OS 6 MELHORES LIVROS DE SEU BOM AMIGO SAUL BELLOW

(texto publicado originalmente em The New Yorker, em Janeiro de 2002, com tradução de José Marcos Macedo) A REVOLUÇÃO DE "AUGIE MARSH" A transformação do romancista que publicou "Dangling Man" em 1944 e "The Victim" em 1947 no romancista que publicou "As Aventuras de Augie March" em 1953 é revolucionária. Bellow subverte tudo: escolhas composicionais fundadas em princípios narrativos de harmonia e ordem, um etos romanesco em dívida com "O Processo", de Kafka, e "O Duplo" e "O Eterno Marido", de Dostoiévski, bem como uma perspectiva moral que mal se pode dizer derivada do prazer do brilho, cor e plenitude da existência. Em "Augie March", uma concepção bastante grandiosa, categórica e arrojada tanto do romance quanto do mundo que o romance representa se desprende de todo o tipo de censura auto-imposta, os princípios de composição do novato são subvertidos e, tal como o personagem Cinc...

SAM SHEPARD DIZ ADEUS À VIDA ESTREANDO NO ROMANCE E COMETENDO UMA OBRA-PRIMA

Eu sou meio suspeito para falar de Sam Shepard. É que ele era o meu herói. O cara que roteirizou “Paris Texas”. O cara que escreveu “Crônicas de Motel”. O cara que redigiu o delicioso diário de viagem da lendária tournée cigana de Bob Dylan e agregados The Rolling Thunder Revue, que passou por pequenos teatros e velhos cinemas nos cafundéus da América entre 1975 e 1976. O cara que encarnou o cowboy do espaço Chuck Yeager naquele filme genial sobre o programa espacial americano: “The Right Stuff” de Phil Kaufman. Enfim... o cara que conquistou o coração da adorável Jessica Lange, musa de toda uma geração –- a minha geração, claro! Eu, que nunca havia sido um grande apreciador de teatro -– apesar de estudado na Universidade as obras dos americanos Eugene O’Neill, Tennessee Williams e Arthur Miller -– fiquei boquiaberto ao ver uma montagem de sua peça ‘Cowboys” com um elenco de professores de Inglês em Brasília, Passei a acompanhar sua carreira como teatrólogo. Que peças pode...

UM ROMANCE DAS PROFUNDEZAS DA FLORESTA (por Adelto Gonçalves)

Terceiro romance de Nicodemos Sena (1958), A Mulher, o Homem e o Cão (Taubaté-SP, Editora LetraSelvagem, 2009) não só confirma o talento do seu autor como, ao lado de seus livros anteriores, é, desde a sua publicação, obra de referência para o estudo temático da vida das populações marginalizadas da Amazônia (indígenas e caboclos) na Literatura Brasileira. Por seu estilo ímpar, o autor já foi comparado a grandes ficcionistas brasileiros, como Graciliano Ramos (1892-1953), Mário de Andrade (1893-1945), Érico Veríssimo (1905-1975), Guimarães Rosa (1908-1967) e João Ubaldo Ribeiro (1941-2014), e a importantes ficcionistas latino-americanos, como o paraguaio Augusto Roa Bastos (1917-2005) e o peruano José María Arguedas (1911-1969). A exemplo do que fez Guimarães Rosa em Grande Sertão: Veredas , com a figura de Riobaldo, o personagem-narrador de A Mulher, o Homem e o Cão fala diante de um suposto ouvinte sobre as suas vivências no meio da floresta amazônica, discorrendo hi...