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Showing posts with the label Robert Altman

QUINTA, 19hs, TEM "GOSFORD PARK" NO CICLO ROBERT ALTMAN NO CINECLUBE PAGU - MISS

por Gilberto Silva Jr. para CINECAMPO A sequência que acompanha os créditos de Assassinato em Gosford Park adianta em poucos minutos, de forma concisa e inteligente, todo o restante da narrativa: sob uma chuva torrencial, os serviçais (motorista, acompanhante) se desdobram para que a condessa interpretada por Maggie Smith, embarque sequinha no carro que irá levá-la à casa que dá título ao filme, enquanto a condessa permanece indiferente ao que se passa a sua volta. É para cima deste ar de superioridade e alienação, típico da classe alta britânica, que o mestre Robert Altman aponta agora sua visão crítica e amarga do mundo. Após dissecar sagradas instituições americanas (exército, casamento, musica popular, Hollywood, só para ficar entre seus trabalhos principais), Altman volta-se agora para o velho mundo, mostrando algumas das razões pelas quais parte desse mundo não somente envelheceu, mas também caducou e morreu. O filme parte de uma situação absolutamente clich...

QUINTA, 19hs, TEM "SHORT CUTS" NO CICLO ROBERT ALTMAN NO CINECLUBE PAGU - MISS

SHORT CUTS: QUANDO ROBERT ALTMAN CONSEGUIU FAZER A VIDA CABER NUM FILME por Rodrigo de Oliveira para PAPO DE CINEMA Uma mosca na parede. Era como o diretor Robert Altman queria que os espectadores se sentissem ao acompanhar um de seus filmes. Éramos, afinal de contas, testemunhas de cenas tão particulares, tão corriqueiras e naturalistas, que não raro nos sentíamos intrusos. Como se não pudéssemos estar ali, ao lado de um casal em crise, ou de uma família disfuncional, sem chamar a atenção para nossa presença. Este sentimento de imersão em vidas tão próximas da realidade era um dos predicados mais destacáveis da carreira do cineasta norte-americano, conhecido até então por clássicos como o satírico M.A.S.H. (1970) e o múltiplo Nashville (1975). Na década de 1990, o diretor nos brindou com dois de seus melhores trabalhos: o crítico e divertido O Jogador (1992) e o magistral Short Cuts: Cenas da Vida. Ambos são excepcionais, ainda que seja inegável a contribuição maior deste úl...

QUINTA, 19hs, TEM "O JOGADOR" NO CICLO ROBERT ALTMAN NO CINECLUBE PAGU - MISS

O JOGADOR: AGULHA NO PALHEIRO por José Carlos Avellar para EscreVerCinema Como uma intromissão subversiva na tradição criada pelo filmes norte-americanos produzidos em torno de Hollywood, enquanto conta histórias movimentadas e muito diferentes entre si, o cinema de Robert Altman propõe ao espectador uma imagem excêntrica. Filmando em Hollywood, mas bem ao contrário do que se faz em Hollywood, ele não compõe imagens em que a câmera vê a cena diante dela de um ângulo central, sem perder nenhum detalhe e sem deixar que um gesto secundário desvie a atenção do olhar do que na verdade importa. O espaço dramático não é o de Hollywood, a cena mais dinâmica que a do teatro mas ainda assim devedora do teatro, espaço desenhado como um palco em que os personagens agem voltados para o direto representante da platéia ali ao lado, a câmera. No cinema de Altman nem a cena se volta especialmente para a câmera, nem a câmera parece voltada especialmente para a cena. Dispersa, ela se perde em a...

QUINTA, 19hs, "CERIMÔNIA DE CASAMENTO" ABRE CICLO ROBERT ALTMAN NO MISS, NOVÍSSIMA MORADA DO CINECLUBE PAGU

por José Carlos Avellar (publicado originalmente em 15/04/2013 no Blog do Instituto Moreira Salles ) Uma intromissão subversiva na tradição criada em Hollywood, os filmes de Robert Altman são uma espécie de casamento entre a tradição do cinema norte-americano e uma recusa dessa tradição, entre uma ordem e uma desordem narrativa, entre concentração e dispersão, improvisação e planejamento. Ao lado da noiva, mas incapaz de manter o foco na cerimônia, o noivo parece ter um pé no altar e outro na porta da igreja, com vontade de estar ao mesmo tempo nos dois lugares. Estamos em Hollywood e simultaneamente fora de lá: a câmera não vê a cena daquele ângulo central, privilegiado, nem consegue impedir que um gesto secundário salte ao primeiro plano e desvie a atenção. No cinema de Altman, nem a ação se volta especialmente para a câmera, nem a câmera parece voltada especialmente para a ação central. Perde-se em anotações que parecem irrelevantes, desvia o olhar para um ges...