(texto publicado originalmente em The New Yorker, em Janeiro de 2002, com tradução de José Marcos Macedo) A REVOLUÇÃO DE "AUGIE MARSH" A transformação do romancista que publicou "Dangling Man" em 1944 e "The Victim" em 1947 no romancista que publicou "As Aventuras de Augie March" em 1953 é revolucionária. Bellow subverte tudo: escolhas composicionais fundadas em princípios narrativos de harmonia e ordem, um etos romanesco em dívida com "O Processo", de Kafka, e "O Duplo" e "O Eterno Marido", de Dostoiévski, bem como uma perspectiva moral que mal se pode dizer derivada do prazer do brilho, cor e plenitude da existência. Em "Augie March", uma concepção bastante grandiosa, categórica e arrojada tanto do romance quanto do mundo que o romance representa se desprende de todo o tipo de censura auto-imposta, os princípios de composição do novato são subvertidos e, tal como o personagem Cinc...
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