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Thursday, December 29, 2016

LEVA UM CASAQUINHO ESCOLHE OS DEZ MELHORES DISCOS DE 2016 (por Chico Marques)

1. BLACK STAR (David Bowie)
Em seu disco de despedida, David Bowie convida o ouvinte para um mergulho na noite da alma. Nele, tudo soa estranhamente confortável e familiar. Ecos dos anos 70 saltam aos ouvidos o tempo todo. Tudo é de uma urgência impressionante. Nesse sentido, lembra um pouco "Station to Station", que foi gravado numa época em que ele vivia no limite, num flerte aberto com a morte -- que ele reverteu de forma brilhante ao longo da série incomparável de álbuns "Low", "Heroes", "Lodger" e "Scary Monsters". Apesar das muitas semelhanças musicais com alguns momentos mais densos de seu disco anterior, "The Next Day" (2013), que abria janelas tanto para seu passado quanto para seu futuro, "Blackstar" não é plural, e nem pretende abrir janela nenhuma para lugar algum. Funciona como um trem fantasma que vaga pela noite, contrapondo o passado à frente do futuro, e vice-versa. Sempre mantendo o imaginário a serviço da realidade, sem perder tempo correndo atrás do sentido da vida, pois não há tempo para isso.

2. POST POP DEPRESSION (Iggy Pop & Josh Homme)
Quem diria que duas das figuras mais loucas da cena do rock and roll iriam um dia unir forças num trabalho conjunto? Pois aconteceu: Iggy Pop e Josh Homme entraram no estúdio em Janeiro deste ano -- às próprias custas e ainda sob o impacto do morte de David Bowie -- e gravaram 9 canções cruas e extremamente contundentes compostas em parceria entre os dois e em apenas duas tardes de gravação. O resultado é cru, urgente, e ao mesmo tempo climático. E lembra eventualmente "Lust For Life", que Iggy e Bowie gravaram juntos em 1977, na Alemanha. De todas as homenagens e tributos realizados este ano pela memória de David Bowie, essa aqui é disparado a mais verdadeira e a mais relevante em termos artísticos.
3. BURN SOMETHING BEAUTIFUL (Alejandro Escovedo)
Aos 65 anos de idade, o sempre incansável Alejandro Escovedo continua correndo atrás no novas experiências musicais. Depois de três discos excelentes produzidos pelo lendário Tony Visconti e gravados com a banda do amigo Chuck Prophet, Escovedo uniu forças com Peter Buck (do REM) e Scott McCaughey (do Minus 5) e juntos compuseram as canções de "Burn Something Beautiful". A coisa toda funciona tão bem que dá para sentir claramente em cada canção do disco um pouco da personalidade musical de cada um dos três, tudo devidamente entrelaçado em guitarradas sensacionais e refrões contundentes. Em suma: um disco com espírito de aventura, algo difícil de ver num artista veterano.
4. SHINE A LIGHT (Billy Bragg & Joe Henry)
2016 foi realmente um ano em que muitos artistas apostaram em trabalhos em colaboração. Aqui, temos o príncipe do folk-punk inglês Billy Bragg unindo forças ao multitalentoso guitarrista e produtor americano Joe Henry em releituras delicadíssimas das clássicas canções de estrada que fizeram a fama de Woody Guthrie e tantos outros menestréis errantes. Para entrar no clima das canções, os dois decidiram apostar no inusitado e gravar o disco em plataformas de embarque e salões de estações ferroviárias entre Chicago e Los Angeles. O resultado é absolutamente reverente ao gênero, e ao mesmo tempo aventuresco em termos de produção. Uma ideia brilhante que acabou rendendo um disco delicioso.
5. THE WESTERNER (John Doe)
Desde os tempos do lendário grupo X nos Anos 80, quem segue a obra do ex-punk rocker John Doe está mais do que acostumado com suas idiossincrasias musicais. Mas The Westerner é, sem dúvida, a melhor, mais ousada e mais madura musicalmente delas todas. É um disco sobre o deserto, que alterna guitarradas à moda de Duane Eddy e Dick Dale com rocks e baladas climáticas que remetem aos Doors e, claro, ao X no início de carreira da banda. À primeira audição, pode até parecer que John Doe está fechando um círculo depois de 35 anos de carreira. Ele diz que não. Mas a sensação -- muito agradável -- que fica é essa. Um disco surpreendente.
6. PAGING MR. PROUST (The Jayhawks)
Com mais de 30 anos de carreira oscilando entre o alt-country e o indie-rock, os Jayhawks pareciam no início ser a reencarnação do espírito ousado do grupo Uncle Tupelo, mas acabaram se transformando numa espécie de "versão fim de século" dos country-rockers do Poco. Claro que não há nada de errado ou de indigno nisso, muito pelo contrário. Novamente sem Marc Olson, que já entrou e saiu da banda sabe-se lá quantas vezes, os integrantes remanescentes dos Jayhawks seguem em frente combinando suas preferências musicais, e, mesmo sem grandes pretenções, realizando um disco exemplar. A produção de Peter Buck, do REM, ajudou bastante na hora de colocar todos esses elementos em perspectiva. De resto, as harmonias vocais da banda continuam deliciosas e as canções são todas ótimas.    
7. SCHMILCO (Wilco)
O nome do novo disco do Wilco remete ao grande Harry Nillson, que gostava de usar a alcunha Schmillson, e anuncia mudanças muito curiosas na orientação musical da banda. É como se Jeff Tweedy estivesse trazendo para dentro o Wilco um pouco do clima caseiro experimental do disco que gravou ao lado de seu filho dois anos atrás -- que acabou servindo de trilha sonora para o premiadíssimo filme "Childhood", de Richard Linklater. Paralelo a esses experimentos, Tweedy embarca em canções confessionais com um sotaque country que remetem ao início de carreira do Wilco e ao trabalho dele com Jay Farrar no lendário Uncle Tupelo nos Anos 80. O resultado disso é surpreendente. É o Wilco "de volta para casa", só que musicalmente renovado, tematicamente redimensionado, e pronto para voar alto e longe novamente.
8. THE GHOSTS OF HIGHWAY 20 (Lucinda Williams)
Se hoje o termo Americana acabou virando gênero musical, uma das grandes responsáveis por isso foi Lucinda Williams. Ao lado de Lyle Lovett e outros artistas country crossover, ela conseguiu melhor do que ninguém atrair a atenção das plateias de rock para uma série de trabalhos musicais que desafiavam toda e qualquer classificação em meados dos Anos 90. Esse seu novo trabalho é uma colcha de retalhos espetacular, onde Lucinda trafega pelo country, pela soul music e pelos blues em canções poderosíssimas que são a cara dela -- ou seja: passionais, truculentas e inebriantes. Atenção para a releitura sensacional que ela elaborou para Factory, de Bruce Springsteen. Sem exagero, o melhor disco de Lucinda Williams desde o clássico "Car Wheels On A Gravel Road" (1998).
9. SOLID STATES (The Posies)
Outra banda que chega aos 30 anos de carreira com dignidade artística a toda prova. Sempre sob o comando do genial Ken Stringfellow, os Posies tem gravado pouco -- apenas um disco a cada 5 anos --, mas nunca decepcionam, e nunca abrem mão de correr riscos. Nesse novo disco, o power-pop característico da banda flui tranquilamente através de temas agridoces, como divórcios e perdas afetivas. Uma coleção de canções cativante e despretenciosa. Mas vital.
10. THIS GIRL'S IN LOVE - A BACHARACH & DAVID SONGBOOK (Rumer)
Para quem não conhece, Rumer é uma espécie de Karen Carpenter com alma. Ou uma espécie de Adele com estofo musical. Cantora poderosíssima, e de extremo bom gosto na hora de escolher repertório, ela acaba de gravar um tributo a Burt Bacharach e Hal David que é simplesmente desconcertamente de tão bonito. Desde aquele disco clássico de Ron Isley de 2003, ninguém passeava por esse repertório clássico dos Anos 60 com tamanha propriedade e conhecimento de causa. Se você ainda não conhece os "poderes" de Rumer, não há melhor maneira de começar do que por aqui.



  

Friday, October 7, 2016

SAMPA WEEKEND (7 a 9 de Outubro)

HOJE É DIA DE MARIA - O MUSICAL
Teatro Cetip
(Rua Coropés 88 – Pinheiros)
de 30 de Setembro a 27 de Novembro
Sextas e Sábados 21h
Domingos 18h
Preços: R$ 50 a R$ 150
O universo caipira tem revelado grande apelo de público. Haja vista o recente sucesso da novela “Êta Mundo Bom!”, pela Rede Globo. E, mais oportuna do que nunca, chega a adaptação da obra de Carlos Alberto Soffredini, “Hoje é Dia de Maria” para os palcos, em versão musical. Os responsáveis pela empreitada de fôlego são a autora da adaptação, Francisca Braga, o diretor Dan Rosseto e a atriz / produtora / diretora Ligia Paula Machado que, depois do sucesso de outras duas belas adaptações de textos clássicos para os palcos musicais - “O Primo Basílio” (2009) e “Lisbela e o Prisioneiro” (2015) – levam agora à cena as (des)venturas da menina Maria que, cansada de mal tratos de seu pai e sua madrasta, resolve por o pé na estrada em busca das “franjas do mar”. E, em tal jornada, acompanhada de personagens do imaginário popular, define o que será de sua vida. Em comum, as três montagens teatrais exibem o apreço dos envolvidos pela música popular brasileira, que serve de trilha para os três espetáculos. Da Bossa Nova de “Basílio”, ao regionalismo de “Lisbela”, chegando à esplêndida mistura de “Maria”, que inclui desde clássicos sertanejos até Milton Nascimento ou Dalva de Oliveira. Arrepiante. E a ousadia na montagem se reflete também nas coreografias da irrequieta Ligia Paula Machado que junta, num mesmo espetáculo, do jazz ao sapateado – incluindo aí um inesperado sapateado irlandês (!), que funciona muito bem -, além de inusitadas técnicas circenses. Sim, porque não basta cantar, dançar e representar. Tem que se pendurar bem alto também. E isto serve para todo o elenco. Elenco, aliás, valorizado pelas presenças de Cleto Baccic, muito preciso como o Pássaro; Luiz Araújo e sua linda voz, como o tocante Pai de Maria; e Kleber Montanheiro que, além da primorosa Direção de Arte, compõe uma Madrasta hilariante; e tudo isso sem falar no coração da montagem, Ligia Paula Machado. Bonita, talentosa e extremamente eficiente. O texto clássico de Soffredini, recuperado aqui em sua forma original – na minissérie da Globo houve uma grande dose de adaptação -, teve acrescidos, para viabilização espacial na cena, os personagens chamados de “encantados” – compostos pelos quatro elementos da natureza mais a conexão divina – que funcionam como um coro grego e companheiros de viagem para Maria, em sua busca. Com belos arranjos vocais, o espetáculo é desenvolvido a partir das canções, que vão pontuando a ação em comentários precisos. Quem já ouviu “Caçador de Mim” ou “Ave Maria do Morro” vai entender. E quem não conhece, certamente vai se emocionar à primeira audição. As belas vozes do elenco garantem o bom resultado. “Hoje é Dia de Maria” resulta num espetáculo delicado e oportuno, onde há inclusive um comentário bastante pertinente sobre a condição feminina na sociedade brasileira, e seu papel no mundo que a cerca. Repare na reviravolta que a fábula da Cinderela sofre nesta montagem. Maria precisa de suas próprias asas. Não perca! (por Carlos Cirne para Colunas & Notas)

Texto
Carlos Alberto Soffredini

Adaptação do roteiro original
Francisca Braga

Direção Geral
Dan Rosseto, Ligia Paula Machado

Direção de Arte
Kleber Montanheiro
Direção Musical
Dyonisio Moreno

Elenco
Ligia Paula Machado, Cleto Baccic, Kleber Montanheiro, Luiz Araújo, Camila Brandão e Felipe Machado

Encantados
Alberto Goya, Guilherme Pivetti, João Canedo, Roger Ciel, Hicaro Nicolai e Vittor Fernando

Músicos
João Paulo Pardal, Murilo Emerenciano, Renan Cacossi, Guto Brambilla, Felipe Machado, Jonatan Motta, Mathilde Fillat, Rafael Lourenço

Cenografia e Figurinos
Kleber Montanheiro

Coreografias
Ligia Paula Machado

Designer de Som
André Breda

Designer de Luz
Wagner Pinto

Supervisão Circense
Circo Garcia

Realização
MP Produção Cultural
WILCO
9 de Outubro
Auditório Ibirapuera
Convenhamos: não é todo fim de semana que uma das maiores e melhores bandas americanas dos últimos 20 anos aparece por essas bandas daqui. Considerando que o Wilco está numa fase excelente, e acaba de lançar um album delicioso intitulado Schmilco, o mínimo que podemos fazer é recomendar a você que desmarque qualquer programa que tiver agendado para este domingo e corra para ver essa magnífica trupe de músicos de Chicago comandados pelo grande Jeff Tweedy no Auditório Ibirapuera. No Rio, eles fizeram bonito na quinta passada no Circo Voador. O mesmo deve se repetir em Sampa.(Chico Marques)
BADI ASSAD
7 de Outubro
SESC-Pompéia
Badi Assad é um assombro. Violonista talentosíssima, vem esbanjando sensualidade em suas apresentações ao vivo nesses últimos 25 anos pelo mundo afora. Fazia tempo que ela não se apresentava no Brasil. Está lançando um novo disco, Singular, e vem acompanhada por dois ótimos músicos: a percussionista Simone Sou e o baixista Rui Barossi. Corra e garanta um ingresso, nem que seja com algum cambista. Vale a pena.(Chico Marques)
TOM ZÉ
8 E 9 de Outubro
SESC-Pompéia
Quando o nosso louco varrido de estimação Tom Zé anuncia que, nesse seu novo show, ele vai apresentar apenas “músicas de apelo sensual”, fica no ar a pergunta: o que diabos será que ele quer dizer com isso? Seja o que for, melhor não perder, pois Tom Zé é o maior herói musical paulistano, está comemorando 80 anos de idade na próxima semana, e o simples fato de seguir ativo e pulsando é digno de respeito e reverência. A propósito: o nome do show é Canções Eróticas para Ninar, mas duvido que alguém consiga dormir ao ouví-las.(Chico Marques)
ARI BORGER
10 de Outubro
SESC Consolação
Entrada grátis
Dizer o que desse instrumentista espetacular, craque do órgão Hammond B3, que transita pelo jazz e pelo blues com uma destreza única na cena musical brasileira? Ari Borger tem uma bela discografia como bagagem e uma banda excepcional ao seu lado. Quem for ao SESC Consolação vê-lo e ouví-lo nessa segunda com certeza estará começando muito bem a semana. E ainda poderá levar para casa seu novo CD: Live At Cincy Blues Fest.(Chico Marques)