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AS "BOAZUDAS" DOS ANOS DE OURO DO CINEMA BRASILEIRO #5: IRENE STEFÂNIA

Se em grande parte o cinema é uma indústria de homens -– mais diretores que diretoras, mais histórias de homens que de mulheres -– são as atrizes que representam o lado mais mítico da Sétima Arte. Na tela prateada, elas viram musas. Algumas viram divas. E todas vivem eternamente nas imagens de 35mm eternizadas. No caso específico do cinema brasileiro, uma das grandes musas é com certeza a belíssima Irene Stefânia, falecida na última terça, dia 3 de Janeiro, aos 72 anos de idade. Irene nasceu em São Paulo SP, estudou Filosofia e estreou no cinema em 1966, já como protagonista, em "O Alegre Mundo de Helô", de Carlos Alberto de Souza Barros.  Irene sempre foi uma atriz essencialmente de cinema. Teve uma participação bastante significativa em "Garota de Ipanema" (1967), de Leon Hirszman. Depois disso, fez "Fome de Amor" (1968) e 'Azyllo Muito Louco" (1970), ambos de Nelson Pereira dos Santos, ambos completamente anár...

WELCOME TO BRAZIL (Impressões sobre a Abertura da Olimpíada 2016 por Flavio Colker)

Sempre que assisto a um espetáculo oficial aonde o Brasil é narrado e explicado, meu estômago revira e minha psique decai; efeito oposto ao pretendido pela direção que seria mostrar a vibração e o milagre da convivência. O espetáculo de abertura das Olimpíadas provocou de novo a sensação de exílio em meu próprio pais, solidão na própria casa. O país do futuro? Sim. Um país que suporta apenas o futuro e joga fora o presente e o passado, cada vez mais sem identidade e cultura.. reduzida agora apenas a bossa nova, aos famosos do momento e da História brasileira, cada vez mais curta. Uma nação de celulares, fibras óticas e uma lata de lixo aonde se joga fora tudo que não aparece na TV porque se não é famoso, não tem valor. Um país de centenas de milhões de pessoas onde apenas meia dúzia de notáveis podem ser lembrados. Desculpem, mas não aguento mais ouvir falar de Niemeyer! Existem outros arquitetos aqui. Existem outros cenógrafos, coreógrafos, fotógrafos, artistas plást...

TOM E EU (por Carlão Bittencourt)

Anos 70 e nada, 11 horas, Veloso (Garota de Ipanema para os turistas). Estava eu sentado à única mesa da varanda que realmente fazia a esquina das ruas Montenegro com Prudente de Morais. O bar estava começando, mas prometia. E como. Recebo o terceiro chope do Dimas (ótimo garçom) quando vejo que ocuparam a mesa ao lado. Viro a cabeça e reconheço Tom Jobim, Antonio Pedro, Hugo Carvana e Miúcha.   Meu sábado estava feito. E, também, muito de minha cabeça atual. O papo era dos mais engraçados, inteligentes e, óbvio, surpreendentes.  Como se pode imaginar. Só para variar, Tom liderava o grupo. Aquele e qualquer um em que estivesse.  Com seu modo irresistivelmente carioca de falar, ele me convidou a fazer parte da mesa deles.  Virei a cadeira e entrei de ouvinte num dos maiores papos do qual já "participei".  Da Ditadura ao jogo do Flamengo do dia seguinte, passando por Cartola ...