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A COMÉDIA ROMÂNTICA MAIS ORIGINAL DO ANO É O DESTAQUE DA SEMANA NOS CINEMAS

por Raul Reis (de Lisboa) para Dizer que  Doentes de Amor  é uma autobiografia é verdade mas não chega. Trata-se da história de um momento preciso na vida de um cómico que se apaixona pela sua atual mulher enquanto esta estava em estado de coma. O argumento foi escrito pelo casal Emily Gordon e Kumail Nanjiani com base na história de amor que ambos viveram. Sem estragar o prazer de ver  Doentes de Amor  pode dizer-se que Kumail é um jovem paquistanês que emigrou muito pequeno para os Estados Unidos com os pais. Estes mantêm as tradições do país de origem, entre as quais está o casamento arranjado. Para quem não sabe, no Paquistão pratica-se a mesma tradição que na Índia: os pais tentam encontrar entre eles cônjuges para os seus rebentos. Kumail, que pretende ser cómico de “stand up” e não advogado tal como os seus pais desejariam, conforma-se com o ritual organizado pela sua mãe que, regularmente convida jovens casadoiras para jantar tentando assi...

SANTOS BANDUNG FILM FESTIVAL - PROGRAMAÇÃO COMPLETA AQUI

Entre os dias 27 e 29 de outubro, o Cine Arte Posto 4 recebe o Santos Bandung Film Festival, com 15 curtas-metragens indonésios em sessões gratuitas, com cerca de 1h30 de duração, sempre a partir das 16 horas. E também 19 curtas de autores santistas estão sendo exibidos no país asiático, com legendas em indonésio. São eles: O Pequeno Monstro (Nildo Ferreira e Kauê Nunes), Fragmentos do Tempo (Bruno Canuto), Azuis (Kettyh Oliveira), Carregadores do Monte (Cássio Santos), Dente por Dente (Nildo Ferreira e Kauê Nunes), Santos eu te amo (Instituto Querô), Sutura (Larissa Melo), Transformações (Cássio Santos e Júlio Lucena), Desconforto (Daniel Bueno), Janela (Paulo Corrêa), Seu José (Sileno Alexandre), Sobre Rodas (Walter Henri), Janelas da Cidade (Tammy Weiss), Nau Insensata (Cristiano Sidotti), Vidas ao Mar (Raphael Cappelo e Leonardo Figueiredo), Ferida (Dandi Queiroz), Sangria (Iasmin Alvarez), Feliz Ano Novo (Mônica Donatelli) e Por Ela (Dandi Queiroz). Ainda dentro a p...

OS MONSTROS QUE TE DEVORAM SÃO OS MONSTROS QUE VOCÊ ALIMENTA (por Marcelo Rayel Correggiari)

Sabemos, bem, que soa repetitivo: lá pela segunda ou terceira vez, tocar no assunto novamente. Contudo, essa desavergonhada Mercearia jamais se furtará de, sempre que possível, lançar-se a esse serviço de utilidade pública. O bom e velho alerta: há certas questões na vida do(a) querido(a) freguês(a), essas de grande incômodo, que, infelizmente, não temos outra coisa a dizer exceto nossos ‘parabéns’. Afinal, permanece assombrosa tal vocação de se deitar na cova aberta pela própria pessoa. O grande índice de que ‘tem gato na tuba’ é quando chegam “... os outros lados da história...”. Por isso, sempre é bom ouvir todos os lados e todas as considerações em torno de algo ou alguém. Se, de repente, o(a) amado(a) freguês(a) ouve sobre um ‘grande demônio’, alguém muito malvado a ser combatido(a), é hora de ‘ouvir o(a) vilão(ã)’, “sentar-se no outro lado da mesa”, a fim de perceber que o lance não é “... beeeeeemmm assiiiiiiiiiiiiimm...” como se supõe inicialmente. Os ‘grandes demô...

CENAS URBANAS NUM DIA E NO OUTRO (uma crônica de Ademir Demarchi)

I - Numa manhã, ao sair do prédio, um flamboyant enche os olhos e a rua, saindo da calçada como um imenso volume verde que se espalha em longos galhos de folhas e flores enternecendo os que passam com a sensação física de cruzar sob ele, benzidos por seus braços sobre as cabeças. Ele está ali desde sempre, porém hoje a incidência de luz especial proporciona uma majestade inesperada. O impacto de sua visão não cessa e se transfere, enquanto se transita, como uma continuada sensação de ver novos seres verdejantes pelas ruas, que entram pelos olhos, não por suas particularidades, mas pela massa e volume de verde vistosos. Noutra manhã, ao sair do prédio, o flamboyant é apenas o tronco e alguns galhos mais grossos que restaram, amputado de sua massa verde e dos galhos que, sem impedir o trânsito, se debruçavam sobre a rua. Os pássaros que nela habitavam ou faziam algazarra, sumiram. Os prédios azulejados estão à vista, toda a beleza se foi, roída pela incompetência administrativa ...

A PICA RESSUCITA A MULHER MORTA: versos sacânicos de FRANCISCO MONIZ BARRETO

A pica o instrumento é que no mundo Mais milagres tem feito e mais proezas; A pica o melhor traste e das belezas, Mal que começa a lhes coçar o sundo. A pica é o cão, que avança furibundo A plebeias, fidalgas, e princesas; A pica em chamas Troia pôs acesas, E a Dido fez descer do Urco ao fundo. É a pica – carnal, possante espada, Que o mundo, perfurante, emenda, entorta, E tudo vence, como bem lhe agrada. A pica, ora e calmante, ora conforta; Sendo em dose alopática aplicada, A pica ressuscita a mulher morta. Francisco Moniz Barreto (1804-1868) nunca foi respeitado como poeta. Natural de Salvador, Bahia, ele p ublicou em 1855 dois volumes de poesias com o nome "Clássicos e Românticos" que foram solenemente ignorados. Já seu talento como repentista e sua facilidade para improvisar versos fazem dele um talento único na história da poesia brasileira.

ACONTECEU NO MAR (uma catecismo clássico de Sir Carlos Zéfiro)

Carlos Zéfiro (1921-1992) é o pseudônimo do funcionário público carioca Alcides Aguiar Caminha, que ilustrou e publicou durante as décadas de 1950 a 1970 histórias eróticas em quadrinhos que ficaram conhecidas por "catecismos", educando sexualmente pelo menos três gerações de brasileiros das mais diversas faixas etárias. M uito antes do advento das revistinhas suecas, da Ilha do Sol de Luz del Fuego, e dos filmes de Ron Jeremy.