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A LONGA VOLTA DE LOS TATURANAS EM MAIS UMA TROCA DE MISSIVAS REVELADORA



Paizinho e queridos irmãos.

Ah, o tempo! Ah, o tempo! Ah, o tempo!

Saudade não define o que sinto ao memora-los! Engulhos, talvez, são tantas emoções.

Foram numerosas as tentativas de lhes encontrar que, depois da segunda, desisti. Por onde andam? Onde vivem? Do que se alimentam?

Depois da fatídica peleja do show de Salzburgo, que interrompeu tragicamente a turnê especial dos 50 anos de A Noviça Rebelde, nos desencontramos e nunca mais ouvi falar de vocês – exceto no funeral do tio Afrânio que, embora muito pouco apreciado por vocês, fez questão de deixar aqueles vinte e cinco ingressos para a turnê de São Vicente do Circo Vostok, na praia de Itararé.

Por falar em herança, pai querido, preciso lhe contar algo muito sério. Desconfio que não somos Taturanas. Eu, pelo menos, tenho certeza de que não sou. Seis meses após o caso de Salzburgo, estava eu me sentindo triste, indefeso, solitário. Resolvi passar alguns meses em reabilitação. Por ali conheci uma moça talentosíssima nas artes manuais e me apaixonei. Descobri mais tarde que a moça era casada, trabalhava no corpo de bombeiros e se chamava Sebastião. Quando me dei conta, já havia virado borboleta e me autodenominava Thabatta, com Th e tt, conforme instruções de meu psiquiatra e numerólogo Dr. Sigmar Bidu.

Mas apesar de tudo, sigo feliz, voando pelo mundo, apenas alguns quilinhos mais pesado (37,25 aproximadamente) sem destino. Aliás, sem dinheiro também. Se puder, por favor envie uns pixulecos pra conta corrente do meu, err.., amigo, Tomé do Scania (ou Tomé Sete Eixos).

Kisses, kisses, bye bye

Thabatta Lepoletta
(ex-Leonardo Taturana)




Queridíssimo Leonardo - ou Thabatta, ou Laerte… sei lá.

Folgo em saber que estás feliz.

A felicidade é luz que nos ilumina, que invade nosso coração como uma ressaca que beija a calçada do Tertúlia. É como um novo dia em flor se abrindo na alma. Natação é o esporte mais completo.

Mas, bem! Chega delongas! Tuas doces memórias também atiçam as minhas. Lembrava-me das tardes em que, tomando pink lemonade, com roupas de cortina, ensaiávamos Edelweiss (well...isso explica muita coisa).

Quando penso nesses momentos não consigo deixar de observar que não há nada mais importante no mundo do que as pequenas coisas: pequenos diamantes, pequenas porções de trufas brancas, pequenas chaves de cofres que abrem aquelas pequenas caixinhas cheias pequenas jóias que guardamos nas ilhas Cayman. Pequenezas, enfim.

Durante meu último retiro em Caxambú com o grande mestre Saibaba Narasha, fiquei meditando sobre esse belo momento de sua vida e pensei: por quê não tirar-lhe o peso da responsabilidade das costas? Já não basta o peso do Sebastião? Sim, meu irmão! Você merece o melhor! Deixe que este primogênito arque com a cruz das sujeiras mundanas.

Mando em anexo um documento que o isenta de se preocupar com as questões relativas àquele problema do qual falava com papai. Ficarei com o fardo da responsabilidade de administrar o vil metal que daddy nos deixou sem lhe cobrar nenhuma expensa por isso.

Mas não se preocupe que não te deixarei desamparado! Mandarei para teu endereço uma Cestá Básica Plus do PagMenos®. Todo ano. E dois ovos batidos atrás. Toda páscoa.

Abraços fraternos, Pipinho.



continua na próxima semana...






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