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Showing posts with the label A Propaganda Nunca Foi Santa

ONANISMO (por Carlão Bittencourt)

“O que eu gosto na masturbação é que você não tem de dizer nada depois” (Milos Forman) O redator estava atrasado. Passava da meia noite quando chegou à festa de lançamento do Anuário do Clube de Criação de São Paulo, no Palace. Lotado. Riu. Melhor assim. Antes tarde do que nunca. Afinal, àquela hora, quem precisava ir embora já tinha se escafedido. Quem ficou, foi para meter o pé na jaca. Com tudo. Homens ao bar! No balcão, pediu ao barman um uísque à la Vinicius de Moraes. Sabe como é? Copo alto, gelo cristal e uísque até a boca. Perfeito. Apesar da sede, desértica, ficou mexendo a bebida com o dedo até o copo embaçar. Pronto. Matou o drinque de um longo e delicioso gole. Mais um, por favor. Gêmeo idêntico. Enquanto esperava, tragou o cigarro e espiou o salão. Indócil mulherio. Que agito! Podia ouvir as vozes e gargalhadas de onde estava. A noite prometia. Pegou o segundo copo e entrou na festa. De cabeça. Logo de cara, esbarrou numa mesa amiga. ...

A FALSA LOIRA (por Carlão Bittencourt)

A imaginação é a pipa  que se  pode empinar mais alto (Lauren Bacall) Mais do que um publicitário de sucesso, o herói desta história é uma lenda viva da propaganda brasileira. Criou a agência mais famosa dos anos 70/80 e, muito mais difícil, tratou de reinventá-la nos anos 90, em parceria com outros craques. O homem não é fraco. Seu nome é Alex. Alex Periscinoto. E esta passagem trata da sua imensa criatividade, que extrapola em muito o circuito da propaganda. Na época em que o fato aconteceu, Alex ainda estava longe de ser um poderoso dono de uma grande agência. Era, então, Diretor de Arte de uma grande loja de departamentos, em São Paulo. O Mappin. Alex era casado, mas não era santo. Depois, de trocar olhares com uma bela loira, colega de trabalho, o assunto prosperou. Bastante. E a dupla partiu para a criação de algo bem mais interessante do que um mero tablóide de ofertas. Acontece que o demo não pode ver ninguém feliz. Vacilou, o tinhoso a...

A DIRETORA DE ARTE JÚNIOR (uma crônica publicitária de Carlão Bittencourt)

“Jovens, envelheçam” (Nelson Rodrigues) Quando alguém se apresentar a você como júnior, não vacile. Mande para chamar o pai. Imediatamente. É melhor e mais produtivo. Porque o júnior não decide nada. No máximo, faz pose. De herdeiro. Só. A única exceção que conheço é Florestan Fernandes Júnior, o filho do Mestre*. Excelente jornalista, Júnior é também uma pessoa da melhor qualidade. Solitário, meu amigo confirma a regra. Profissionalmente o problema é o mesmo. Com funcionário júnior, todo cuidado é pouco. Porque o júnior está envolvido até o pescoço naquele faz de conta profissional tão comum às empresas. Recebe uma miséria, está sempre abarrotado de tarefas e, pior, não é responsável por nada do que faz. Resumindo: dinamite pura. Uma criança com uma navalha. Vou dar um exemplo. Embasado. Houve época em que eu também era júnior. Faz tempo. Na Almap, começo dos anos 70. Após três meses de estágio na Criação, fui contratado. Redator júnior. Na Carteira de Tra...

PLAY IT AGAIN, SAM! (uma crônica publicitária de Carlão Bittencourt)

“Menos é Mais” (máxima da propaganda) Nunca gostei da badalação que cerca a propaganda. Acho exagerada. E sem sentido. Afinal, um sapateiro, solitário em seu ofício, agrega tanto valor para a sociedade quanto um publicitário. Com a vantagem de falar menos e não nos deixar a pé. Outra coisa que me incomoda na profissão é a falsa intimidade. Você já reparou? Qualquer pessoa que atue na área se refere ao publicitário da moda como se tivesse morado com ele. É vergonhoso. Por essas e outras, evito sempre que possível os grandes eventos do meio. Mas existem alguns a que você precisa ir. Por alguma razão imperativa. Daí, como não tem remédio, remediado está. A historinha a seguir aconteceu numa dessas ocasiões, no começo dos anos 90. Intimado a comparecer, abotoei o paletó e encarei. Aliás encaramos, pois o Diretor de Criação da agência, Luiz Christino foi junto comigo. E o convescote em questão era a Semana Internacional de Criação, no Hotel Maksoud Plaza, em S...

ONDE SE GANHA O PÃO NAO SE COME A CARNE #2 (uma crônica de Carlão Bittencourt)

“Não fica triste, não se escracha, mulher, patrão e cachaça em todo canto se acha” ( Adoniran Barbosa) QUER MULHER, TRAZ DE CASA O presidente da agência multinacional olhou a morena alta, esguia, sensual, de cabelos longos, seios empinados, e não teve jeito: tarou. Daquele dia em diante, acabou o sossego da garota. Estava rezada. Mas o bacana da história é que ela, além de bonita, se dava ao respeito. Não tinha vocação para bandida. O alto executivo ia perder a pressa. Que o CEO pode esperar. O problema é que, quanto mais o tempo passava, mais o assédio se intensificava. O gringo estava louco. Mandava recados pelas colegas, dava indiretas no elevador e olhares obscenos sempre que a via. Nada. A moça era o chamado impávido colosso. Seis meses se passaram e ela não abria a guarda. Mas o mala não desistia. Afinal, era um cidadão do mundo. Tinha partido da Europa e feito uma carreira de sucesso até em Nova Iorque. Acostumado a conquistar quem e o qu...

ONDE SE GANHA O PÃO NAO SE COME A CARNE #1 (por Carlão Bittencourt)

“Antes à tarde do que nunca” (Zózimo Barroso do Amaral) A máxima é uma das maiores lições que um profissional, de qualquer ramo, pode aprender. Desde cedo. O curioso é que, na propaganda, o sábio conselho não pegou. Aqui se ganha o pão e se come a carne. Sempre. As razões são muitas. Desde a pressão do trabalho (que mexe com a libido da moçada), até o clima de liberalidade que as agências cultivam. A verdade é que propaganda e sexo namoram desde o tempo do reclame. Como é de se esperar, isso rendeu grandes histórias. Uma melhor do que a outra. Como as moças. Vamos a algumas das mais engraçadas, dando ênfase aos detalhes picantes e particularmente escabrosos. Mas sem declinar nomes. Óbvio. AS GAROTAS DO RÁDIO Num famoso estúdio de jingles, a turma sacou que uma dupla de secretárias costumava desaparecer na hora do almoço. Estavam sempre juntas, grudadas e, de uma hora para a outra, sumiam. No ar. Apesar de serem praticamente meninas e do jeito ingênuo...