Era verão em Salvador e o Pituba R3 estava lotadíssimo. Mãos, ao alto, disputavam os espaços na barra de metal do teto do ônibus, buscando um mínimo de equilíbrio. Eu estava em pé, na parte de trás, esmagado contra uma das paredes laterais. Se estivesse dentro de uma lata de sardinhas, disputando o espaço com o peixe cozido e todo oleoso, talvez me sentisse mais confortável. O calor era severo e o cheiro de suor... desanimador. De repente ouvi um grito abafado: - É um assalto! De onde eu estava, não via rigorosamente nada. A massa humana mal deixava o som circular. Um zum-zum-zum coletivo me advertiu que o assalto poderia ser verdadeiro. Quem brincaria assim num lugar onde as pessoas já estão calejadas com as frequentes ações de bandidos? Mas, por outro lado, quem pensaria em assaltar um ônibus tão abarrotado como aquele? Como o assaltante circularia pelo interior do veículo para recolher os celulares, relógios e carteiras? Logo em seguida, um tiro. O ...
UMA REVISTA ACONCHEGANTE QUE VALE POR UM COBERTORZINHO