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CAFÉ & BOM DIA #59 (por Carlos Eduardo Brizolinha)

Texto divertido de Satie é deveras apropriado para enfeitar a quinta feira. O artista deve regulamentar a sua vida. Aqui vai o horário exato dos meus atos diários: Levantar: 7.18; inspirado: das 10.23 às 11.47. Almoço às 12.11 e deixo a mesa às 12.14. Passeio saudável a cavalo, no fundo do meu parque: das 13.19 às 14.53. Nova inspiração: das 15.12 às 16.07. Ocupações diversas (esgrima, refexões, imobilidade, visitas, contemplação, destreza, natação, etc.): das 16.21 às 18.47. O jantar é servido às 19.16 e concluído às 19.20. Seguem-se leituras sinfónicas, em voz alta das 20.09 às 21.59. Deito-me regularmente às 22.37. Uma vez por semana, acordo sobressaltado às 3.19 de terça-feira. Apenas como alimentos brancos: ovos, açúcar, ossos raspados; banha de animais mortos; vitela, sal, noz de coco, frango cozido em água branca; bolor de fruta; arroz, nabos; salsicha de cânfora, massa, queijo branco, salada de algodão e de certos peixes sem pele. Faço ferver o meu vinho, que bebo frio c...

CAFÉ E BOM DIA #38 (por Carlos Eduardo Brizolinha)

Andre Breton, autor dos Manifestos Surrealistas (o primeiro, de 1924 e o segundo, de 1930) e considerado “criador” do movimento. A palavra surrealismo havia sido criada em 1917 pelo poeta Guillaume Apollinaire (1886-1918), ligado ao Cubismo, para identificar expressões artísticas que se esboçavam e é adotada pelos surrealistas por refletir a ideia de algo além do realismo. O início do movimento se dá por volta de 1922, quando os dadaístas se dispersam. Como muitos dos primeiros participantes do Surrealismo foram originados do movimento Dadá, uma separação enfática entre Surrealismo e Dadaísmo na teoria e prática pode ser difícil de ser estabelecida, apesar das declarações de Andre Breton no assunto não deixam dúvidas sobre sua própria claridade sobre as suas diferenças. No círculo acadêmico, esta linha imaginária é diferente entre diferentes historiadores. As raízes do Surrealismo nas artes visuais emprestam características ambos do Dadá e do Cubismo, assim como da abstração de ...

POEMINHA DE DOMINGO (por Ivan Junqueira)

ESSA MÚSICA Essa música que retorna como o perfume de uma rosa, essa música que se entorna de uma ânfora por cujas bordas escorre ainda o mel de outrora, essa música insidiosa numa antiquíssima harpa eólica: seria o vento em suas cordas? Seria Orfeu vindo das forjas do inferno a que baixou, apóstata, em busca da filha de Apolo, Eurídice, a esposa morta por quem até hoje ele chora? Não é nada enfim. Tudo dorme. Há, sim, alguém que à noite acorda e vê-se em ruínas, sem memória de um tempo que fugiu, mas volta nessa música que se entorna, e vai e vem, e vem e torna, nessa música que retorna como o perfume de uma rosa. Ivan Junqueira nasceu na cidade do Rio  em 3 de novembro de 1934.  Estudou Medicina e Filosofia  na Universidade do Brasil,  mas não concluiu nenhum dos dois cursos.  Como jornalista, passou por todas  as redações de jornais cariocas,  até virar diretor do Centro de Inf...