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Showing posts with the label Carlos Heitor Cony

MINHA NOITE COM RAQUEL WELCH (por CARLOS HEITOR CONY)

  Modéstia à parte, não foi das minhas melhores noites. A culpa não foi minha: preparei-me para o que desse e viesse, mas nada de excepcional veio nem nada me foi dado -o que é pena.   Oficialmente, Rachel Welch vinha fazer uma curta temporada no Brasil. Profissional competente, ela sabia o que valia naquela época. Tinha de ganhar a vida e o fazia com seriedade. Em Las Vegas, seus produtores haviam bolado um enlatado de trânsito internacional e lá foi ela, com 17 acompanhantes e 2 mil quilos de bagagem, requebrar o corpo monumental em Paris, no México e no Brasil.   Não se considerava uma atriz, muito menos uma cantora. Definia-se como "entertainer" -- função que o Ratinho também poderia invocar. Tinha consciência de que muita gente pagaria uma nota firme para ser entretida "por" ela. E pagaria muito mais se fosse entretida "com" ela.   Foi com sabedoria -- e charme até demais- que ela se esmerou em provar, e sobretudo em mostrar, que é um prod...

QUASE UMA CRÔNICA (de Flávio Viegas Amoreira)

Sou leitor de crônicas desde os anos 70: comecei lendo adolescente ainda o inesquecível "Jornal da Tarde" que era uma versão pop-juvenil do pesado Estadão. Ali tínhamos a mão crônicas de Drummond, Lourenço Diaféria (alguém se lembra?) e as críticas literárias que soavam quase coloquiais feito crônicas do inesquecível Leo Gilson Ribeiro. Na "Folha de São Paulo" fascinavam-me obviamente Paulo Francis, o poeta e semiólogo Décio Pignatari e a lendária crítica de TV Helena Silveira, irmã da romancista Dinah Silveira de Queiroz e prima do santista Miroel, que foi cunhado de Gilberto Mendes e o descobridor de Cacilda Becker. Incrível como toda cultura brasileira, especialmente paulista, passam por Santos nos anos 40 até os anos 60! Confesso que Drummond cronista estava a léguas da maestria do poeta, mas era Drummond! A crônica claramente foi sempre primeira apresentação da grande literatura através dos jornais, revistas (a Veja tinha um timaço!) e logo uma coleç...

O QUE PENSAM DE NÓS, LIVREIROS? (por José Luiz Tahan)

Acredito que muitos balconistas já tiveram papos parecidos no atendimento rotineiro, nas livrarias em que vivem.  Nós praticamente vivemos nos nossos trabalhos, passamos quase tanto tempo dentro quanto fora dessa nossa pequena obsessão, as livrarias. Algumas perguntas que me fazem são curiosas. "Você já leu todos os livros da livraria?"  Explico que não, respeitosamente, com uma ponta de vontade de brincar com o cliente e dizer do contrário. Uma das mais comuns situações é aquela em que a pessoa diz, com um olhar distante, praticamente girando nos calcanhares e afirmando: "Ah, se eu tivesse o seu emprego...iria ler o tempo todo!"  E eu penso comigo, só leio números, faturas e boletos. A rotina na nossa empreitada é dura, leio muito mais em casa do que no trabalho, é claro. Não é raro também estarmos em outro lugar, um botequim por exemplo, na madrugada e alguém gritar:  "O que faz aqui?"  Pelamordedeus, sã...