Quando Marcello Rubini vê o polvo estendido na beira da praia, a cena final de A Doce Vida , no cinema o jovem teve a ingênua certeza de que seria capaz de fazer um filme tão bom quanto aquele. Rubini almeja ser um grande escritor, mas vive enredado num cotidiano medíocre. É um homem entediado e sem saída, personagem-símbolo da Roma moderna e decadente, estampada na tela. Embora apresente essa carga existencial, o filme de Fellini é envolvente, poético e tristemente risonho. O jovem estava fascinado. A sua vida acabava de ser dividida em antes e depois de A doce vida. Em pouco tempo, viu o filme três vezes. Agora, precisava dividir com alguém a emoção nova e surpreendente. Convenceu então um amigo a acompanhá-lo como se o convidasse para ir ao circo: “Você não pode perder A Doce Vida . A obra é de 1960, mas está de volta aos cinemas em uma cópia nova, restaurada. Tem cada cena.” “Fala uma.” “É difícil descrever as cenas de A doce vida, pois tudo está incorporado a um grande...
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