por Márcio Calafiori Faz cinquenta anos que Truman Capote pôs lenha na fogueira. A literatura americana precisava urgente de algo que combinasse com direitos civis, protestos, Guerra do Vietnã, contracultura, hippies, maconha, muita maconha, ácido, feminismo, pílula, minissaia, Beatles e Rolling Stones. Foi então que em quatro semanas consecutivas — a partir de 25 de setembro de 1965 — Capote apareceu na revista The New Yorker com o elétrico e desconcertante A Sangue-Frio . Não se tratava de mais um artigo diferente produzido pela revista. Ao misturar a técnica da reportagem com a arte do romance, Capote não deixou por menos: inaugurou o romance de não-ficção. Só no subtítulo de A Sangue-Frio é que fica evidente o aspecto de reportagem da obra — “O relato fiel de um assassinato múltiplo e suas complicações”. O livro trata do homicídio brutal de quatro pessoas de uma mesma família, os Clutter, ocorrido na madrugada de 15 de novembro de 1959, em Holcomb, então uma cidadezinha ...
UMA REVISTA ACONCHEGANTE QUE VALE POR UM COBERTORZINHO