por José Carlos Avellar 1. Você não viu nada em Hiroshima É o título do livro editado pelo Instituto de Sociologia da Universidade Livre de Bruxelas em 1962. É a primeira frase que se fala no filme “Tu n’as rien vu, à Hiroshima” depois de três minutos de imagens de um desenho quase abstrato ligadas por fusões e sublinhadas por um tema musical.É a sensação primeira. Exprime a surpresa que toma conta do espectador depois da primeira visão e estimula a vontade de voltar a ver e rever o filme: Você não viu nada em Hiroshima. “Tu n’as rien vu, à Hiroshima”. A resposta vem de imediato. Uma voz feminina desdiz o que o homem acabou de dizer num francês de sotaque acentuado. O francês dela é claro: “J’ai tout vu. Tout”. Ela viu: o hospital (como não ver o hospital de Hiroshima?), o museu, as pessoas, as fotografias, as explicações, o ferro retorcido, as cinzas, as pedras queimadas. Ela sentiu o calor de dez mil graus na praça da Paz. “Eu vi tudo. Tudo...
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