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CAFÉ & BOM DIA #59 (por Carlos Eduardo Brizolinha)

Texto divertido de Satie é deveras apropriado para enfeitar a quinta feira. O artista deve regulamentar a sua vida. Aqui vai o horário exato dos meus atos diários: Levantar: 7.18; inspirado: das 10.23 às 11.47. Almoço às 12.11 e deixo a mesa às 12.14. Passeio saudável a cavalo, no fundo do meu parque: das 13.19 às 14.53. Nova inspiração: das 15.12 às 16.07. Ocupações diversas (esgrima, refexões, imobilidade, visitas, contemplação, destreza, natação, etc.): das 16.21 às 18.47. O jantar é servido às 19.16 e concluído às 19.20. Seguem-se leituras sinfónicas, em voz alta das 20.09 às 21.59. Deito-me regularmente às 22.37. Uma vez por semana, acordo sobressaltado às 3.19 de terça-feira. Apenas como alimentos brancos: ovos, açúcar, ossos raspados; banha de animais mortos; vitela, sal, noz de coco, frango cozido em água branca; bolor de fruta; arroz, nabos; salsicha de cânfora, massa, queijo branco, salada de algodão e de certos peixes sem pele. Faço ferver o meu vinho, que bebo frio c...

CAFÉ E BOM DIA #47 (por Carlos Eduardo Brizolinha)

O primeiro livro que li em janeiro de 2016 foi Albert Camus (Mondovi, 7 de novembro de 1913 — Villeblevin, 4 de janeiro de 1960) nasceu na Argélia, foi escritor e filósofo e escreveu o Avesso e o Direito quando tinha 22 anos. O Avesso e Direito é um livro pequeno, tem só 109 páginas, contando com 20 páginas só de prefácio. Mas é lindo, incrível ver como o Camus pode ter escrito esse livro com só 22 anos. Na verdade, particularmente, acho que os jovens tem muito a dizer, só não são escutados. Esse livro contém 5 peças que para ele são 'ensaios literários', ele fala sobre a solidão, sobre a ausência de Deus, sobre o amor, sobre a morte, sobre o absurdo da condição humana, tudo de uma maneira poética, que quem já leu Camus, sabe como é. É lindo, e no mais, não custa nada, são poucas páginas. Vai aí um dos trechos que eu mais gostei: "Isso tudo não se concilia? Bela verdade. Uma mulher que se abandona para ir ao cinema, um velho que não é mais ouvido, uma morte que nada r...