Gênio: com tanta prodigalidade esse termo usado e tão raramente adequado a nomear um artista como foi Ingmar Bergman. Um estilista, um mestre, alguém de quem esperávamos um novo filme como aguardamos hoje um novo Woody Allen ou Almodóvar. Gênio é o exagero de talento para estruturar uma expressão artística ao limite: no cinema, arte suprema da modernidade poucos deram tanta grandeza aos seus meios quanto o diretor de “Persona” e “O Ovo da Serpente”. Bergman foi um realizador que usava a técnica a serviço da reflexão profunda, - era um diretor que filosofava, um arqueólogo da alma humana, um pensador tal Kierkegaard com planos, tomadas e perspectivas dum Rembrandt. Se tivesse que escolher um filme supremo para representar nossa existência e sua precariedade sem pestanejar escolheria “O Sétimo Selo”, verdadeiro documento filmográfico altura dum “Hamlet” ou antes de “A Divina Comédia”. Ando a reler Strindberg e pretendo nesse espaço em julho comentar seu impacto em mi...
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