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O NADADOR: UM CONTO DE JOHN CHEEVER QUE É UMA OBRA PRIMA DA LITERATURA AMERICANA DO SÉCULO 20

Era um daqueles domingos de verão em que todo mundo diz: "Ontem à noite bebi demais." Podiam-se ouvir os fiéis a sussurra-lo ao sair da igreja, ou da boca do próprio padre, a tentar livrar-se da sotaina na sacristia, podia-se ouvir no golfe e na quadra de tênis, ou na reserva natural onde o chefe do grupo Audubon de observadores de pássaros curtia uma tremenda ressaca. "Bebi demais", disse Donald Westerhazy. "Todos bebemos demais", disse Lucinda Merrill. "Deve ter sido o vinho", disse Helen Westerhazy. "Bebi demais daquele clarete." Passava-se isto na borda da piscina dos Westerhazy. A piscina, alimentada por um poço artesiano com alto teor de ferro, era de um verde pálido. Estava um dia magnífico. A Oeste havia uma densa formação de cúmulos tão parecida com uma cidade vista de longe - da proa de um barco que se aproximasse - que podia ter um nome. Lisboa. Hackensack. O sol estava quente. Neddy Merrill estava sentado junto da piscin...

NASCIDO HÁ 105 ANOS, JOHN CHEEVER PERMANECE VIVO E ATUAL COMO NUNCA

por Chico Marques Tive meu primeiro contato com os contos magníficos do grande escritor americano John Cheever -- que este ano completaria 105 anos de nascimento -- na segunda metade dos Anos 70 por indicação de Sérgio Augusto, que sempre fez questão de apresentá-lo ao público brasileiro saudando-o como um dos maiores escritores do Século XX. Quando a então recém-fundada Companhia das Letras editou a antologia "O Mundo das Maçãs" em 1987, reunindo 13 de suas melhores histórias curtas e quebrando em definitivo com o ineditismo do contista Cheever por aqui, foi por insistência de Sérgio mais uma vez.  Estranhamente, os brasileiros, que já conheciam os romances escritos por Cheever, ainda não haviam sido apresentados ao melhor de sua produção literária: as narrativas curtas. Graças às indicações preciosas de Sérgio Augusto, eu, que  estudava Literatura Inglesa e Norte-Americana na Universidade de Brasília, devorei impiedosamente todos os  volumes de contos de Jo...

EM CANTO DE PÁGINA, A DELICADEZA CONTUNDENTE DA PROSA DE JOHN CHEEVER

por Chico Marques Antes de John Updike e antes de Richard Ford, John Cheever escreveu sobre a classe média norte-americana com uma maestria impressionante, revelando por trás da aparente normalidade de seus personagens as entranhas da vida americana.  Resultado: Cheever tornou-se nos anos 1940 e 1950 referência mais do que obrigatória obrigatória para todos os autores empenhados em promover um mergulho profundo neste mesmo universo -- entre elas, seu próprio editor na revista New Yorker, William Maxwell. Cheever escrevia sobre os prazeres da vida em família e sobre a mediocridade aparentemente feliz em que a maioria dos americanos quietos trata de se acomodar, e revelava de forma magnífica as turbulências e os sobressaltos são desequilibravam o cotidiano de seus personagens até conseguirem romper o celofane que os separa da realidade nua e crua. O aconchego na prosa de Cheever é brilhantemente enganador, pois ele consegue, logo na arrancada de um conto, criar...