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O FILME DA SEMANA É O INUSITADO E BRILHANTE "PROJETO FLÓRIDA"

por Carlos Alberto Carrilho (de Lisboa) para Repescando o título que Walt Disney atribuiu ao projecto de construção do Walt Disney World, em Orlando (Florida), “Projeto Flórida” olha para a comunidade que, sem residência fixa, vive nos hotéis baratos dos arredores do famoso parque de diversões, colocando-a em contraste com a promessa de ilusão de modernidade proporcionada pela experiência industrializada. Sean Baker tem recorrido a diferentes suportes e técnicas, adequando-os ao tipo de projecto, desde câmaras de vídeo baratas e sofisticadas nos primeiros filmes, ao iPhone em “Tangerine” (2015) ou à película de 35mm em “Projeto Flórida”. Por outro lado, o seu universo de personagens é frequentemente colocado na margem do corpo social: o emigrante ilegal chinês em luta contra a Máfia local em “Take Out” (2004), o negro nova-iorquino que negoceia material de contrafacção de marcas de luxo em “Prince of Broadway” (2008), a improvável relação entre uma jovem actriz de ci...

5 BONS FILMES SOBRE GRANDES HERÓIS DA PRIMEIRA GERAÇÃO DO ROCK & ROLL (ANOS 50)

A HISTÓRIA DE BUDDY HOLLY (The Buddy Holly Story, 1978, 113 minutos, dir: Steve Rash) Poucos cinebiografias são tão bem resolvidas quanto esta que enfoca a curta -- mas movimentadíssima -- carreira de Buddy Holly, que morreu num acidente de avião em 1959 aos 22 anos de idade. O ator Gary Busey -- que, em princípio, não tinha muita semelhança física com o personagem -- conseguiu realizar um trabalho espetacular de caracterização, baseado em depoimentos de pessoas que conviveram com Holly. O roteiro é correto, a direção é okay, e o se resultado final parece meio chapa-branca, é porque, na verdade, Holly era um artista impoluto e não colecionou desafetos ao longo de sua carreira. A clássica cena dele com os Crickets no palco do Apollo Theater no Harlem -- consequência de uma contratação atrapalhada, pensaram que fosse uma banda de negros -- é sensacional. Quando eles, branquelos do Texas, surgem no palco e ficam diante daquela plateia de negros, diz para eles sem a menor...

VLADIR LEMOS, UM POETA ATLÂNTICO (por Flávio Viegas Amoreira)

Impossível ser regional sendo santista. Há uma cumplicidade universal com tudo que venha bater nesses costados:   Santos vai além da cidade, é um olhar amplo para o mundo a partir de sua costa mítica, suas reentrâncias ao continente, seu porto disposto a todos antros do planeta.   Por aqui Américo Vespúcio que daria nome ao continente,   Hans Staden que inauguraria nossa crônica e primeira literatura,   os versos de Anchieta e mais além uma plêiade de escritores   de relevo brasileiro.   Alguns nomes de ruas no Rio e São Paulo que ninguém mais revela origem: Xavier da Silveira por exemplo, imenso poeta!   Morrido jovenzinho foi dos primeiros bardos anti-escravagistas e oradores libertários.   Ainda no século XIX   um autor que se tornaria também santense escreva o primeiro best-seller nos idos de 1890 : "A Carne", obra proibida pela Igreja e censurada pela época , que seria livro de cabeceira dos adolescentes   até para "ilustra...

COMPRA-SE CHÃO (por Marcelo Rayel Correggiari)

Essa impedida Mercearia jamais se isentaria, em qualquer momento e instante, de colocar os ‘pingos nos “i”s’. Não que seja uma missão... longe disso. Mas há de se questionar em qual ponto a maionese desanda. Erros de leitura? Talvez... pode ser. Há determinados momentos da vida que o ‘trem’ foge da sanidade. É meio um ‘pe-re-rê’ de certo ponto em diante. O que leva alguém a agir da forma que age? ‘Em tese’, há uma avalanche de explicações. É possível afirmar que ‘há explicação para tudo’. Há explicação para tudo? Nem sempre... Pode até ser explicado, mas não justificado. Ou pode ser justificável, mas a quantidade de ‘livre-associação’ detona qualquer espírito humano. A coisa cai no ‘disse-me-disse’ e novamente estamos às voltas com a improbabilidade de medidas tomadas a toque de caixa diante de uma deliberação débil, claudicante e, pior, sem se saber, ao certo, como andam as coisas em certa paragem. “... eu acho que é assim...”, e pronto! Algo bem perto da insa...

AS LUAS QUE SE PASSARAM (or Ademir Demarchi)

A Lua Crescente passou e a Lua Cheia se acabou ontem à noite. Sobre muitos dos que habitam a Terra elas terão deixado seus rastros indeléveis, que não se pode apagar. Perdidos a esmo por aí, alguns ainda devem caminhar trôpegos e bêbados, sem sequer imaginar que trem os atropelou. E se há dúvida sobre isso, há para ver o episódio “O mal da Lua”, que está no filme Kaos, dos Irmãos Taviani, que acabaram de ganhar em Berlim um Urso de Ouro pelo já esperado filme César deve morrer. Eles adaptaram contos de Luigi Pirandello em Kaos, em cujo livro diz: “Ao virar-se para correr até a casa, Sidora percebeu, aterrorizada, a Lua Cheia, abrasada, violácea, enorme, recém-saída das lívidas alturas da Crocca”. Pois essa Lua temível que se vê fulgurante no filme é ainda mais poderosa quando está em seus tons avermelhados e com cornos e os espalha sobre os humanos, graças aos desnorteios físicos e psicológicos que provoca. Sob seus efeitos, quem recebe seus eflúvios perde as estribeiras, ...