POEMA ORTODÔNTICO Meu amor por Pâmela soía ser alimentado por uma fantasia visual. Eu a mirava em fellatio, os dentes arrojados feito um bicho canibal A boca salivando, o falo retesado pra além do normal Protusos incisivos, caninos arretados, molares sem igual Como se uma leoa, que caçou um veado lá no mundo animal Matasse a sua fome e, instinto saciado, bebia um caudal De porra que jorrava, um amor esporrado em rosto virginal. Ah, Pâmela, ques dentes, era apaixonado, boca original Te amava como eras, dentes projetados, por que é que um bagual De um coxinha sem alma, um dentista viado, que de fio dental Passa suas noites, no rabo enterrado o cordão aromal, Pôs-se a consertar o que era já acertado: tua Arcádia dental. Pois o fidiputa, ortodonte safado, te estragou total - O corte, o aparelho, bem mal colocado, lacerou-me o pau. Germano Quaresma, ou Manuel Herzog, nasceu em Santos, São Paulo, em 1964. Criado na cidade de Cubatão, ...
UMA REVISTA ACONCHEGANTE QUE VALE POR UM COBERTORZINHO