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REQUIEM PARA MARCIO CALAFIORI (parte 1)

Conheci Marcio Calafiori há 16 anos, por aí. Eu morava em frente à Universidade Santa Cecília, onde ele trabalhava como professor. Eu estava recém-despejado de meu primeiro casamento, e condenado a continuar morando sozinho no mesmo apartamento onde fui casado por alguns anos. Não era uma situação de todo ruim. Mas às vezes a solidão virava um grande incômodo. O jeito era ir para a rua. Passava uma ou duas horas da manhã conversando com meu amigo Paulinho, dono da banca de revistas ao lado da Universidade, e com alguns de seus clientes matinais. Márcio era um deles. Figuraça. Três anos mais velho que nós dois. Jornalista de coração e de alma, com uma longa carreira pelas costas, muitas histórias pitorescas em seu curriculum e passagens por várias cidades onde também morei. Naquela altura da vida, Márcio já estava há tempos longe das redações, e se dedicava a formar novos jornalistas. Memorizei os dias da semana e os horários em que ele tinha “janelas” em sua grade de aulas na ...

MACACO (um conto de Márcio Calafiori)

Ele  e  Ela  estão no sofá da sala. O ambiente é simples, organizado e limpo. Há um computador em cima de um móvel apropriado, com impressora e luminária de mesa. Ao lado do computador há uma estante com tevê e molduras com fotos. Ao lado do sofá de três lugares em que o casal está, à direita, há um abajur de pedestal e na frente uma mesa de centro; num canto da sala há um móvel-bar, com bebidas, balde para gelo, copos, taças.  Ela  deve ter uns quarenta ou quarenta e cinco anos. Pode ser que seja professora de escola pública. Usa um vestido solto que vai até a altura dos joelhos, pois talvez seja o início da primavera.  Ele  tem mais de cinquenta. É fisicamente comum. Está de jeans, camisa polo e sapatos pretos. Ela —  Você é assim organizado ou arrumou tudo antes d’eu chegar? Ele —  Normalmente, sou organizado. Ela —  Ah, eu sou bagunçada. Acho que você não iria gostar de mim se visse a minha casa. Não g...