Skip to main content

Posts

Showing posts with the label Raymond Chandler

DEIXA COMIGO (por Ademir Demarchi)

“As coisas pelas quais vivemos são como o brilho distante das asas de um inseto sob a luz de um sol mortal”. A frase é alusiva, cabe para tudo nesta vida, tanto para a possível inutilidade de escrever esta crônica quanto para abrir como epígrafe o livro de um escritor do tipo maldito, desses que são cultuados apenas por outros escritores dessa mesma espécie, que formam uma pequena seita de amantes de livros e escritores esquisitos de livros raros, pequenas tiragens. A frase foi roubada do escritor de romances policiais Raymond Chandler pelo escritor uruguaio Mario Levrero, em seu primeiro romance traduzido, aqui publicado pela Rocco na Coleção Outra Língua sob o título “Deixa comigo”. Só o conheciam no mundo hispânico e quem o traduziu e criou essa coleção foi um desses escritores estranhos, o Joca Reiners Terron, que já teve uma microeditora que faliu como maldita publicando escritores e poetas dessa seita como o Valêncio Xavier, o Manuel Carlos Karam e outros. Levrero é desses...

DEIXA COMIGO (por Ademir Demarchi)

“As coisas pelas quais vivemos são como o brilho distante das asas de um inseto sob a luz de um sol mortal”. A frase é alusiva, cabe para tudo nesta vida, tanto para a possível inutilidade de escrever esta crônica quanto para abrir como epígrafe o livro de um escritor do tipo maldito, desses que são cultuados apenas por outros escritores dessa mesma espécie, que formam uma pequena seita de amantes de livros e escritores esquisitos de livros raros, pequenas tiragens. A frase foi roubada do escritor de romances policiais Raymond Chandler pelo escritor uruguaio Mario Levrero, em seu primeiro romance traduzido, aqui publicado pela Rocco na Coleção Outra Língua sob o título “Deixa comigo”. Só o conheciam no mundo hispânico e quem o traduziu e criou essa coleção foi um desses escritores estranhos, o Joca Reiners Terron, que já teve uma microeditora que faliu como maldita publicando escritores e poetas dessa seita como o Valêncio Xavier, o Manuel Carlos Karam e outros. Levrero é des...

O GENIAL JULES FEIFFER SE REINVENTA COMO GRAPHIC-NOVELIST EM "MATE MINHA MÃE"

Se tem alguém que já fez de tudo na vida, esse alguém é Jules Feiffer.  Aos 86 anos de idade, Jules publicou 35 livros, entre romances e coletâneas de quadrinhos, escreveu peças para teatro, roteiros para cinema, e cinco anos atrás publicou suas memórias com o título genial "Backing Into Forward" pela Editora Alfred A Knopf.  Ganhou todos os prêmios que se possa imaginar nas categorias Comics, além de dois Pullitzers e um Oscar por sua magnífica animação adulta "Munro", de 1961 (veja abaixo na íntegra).  Começou nos quadrinhos aos 16 anos, como assistente de seu herói Will Eisner, que logo percebeu seu talento e começou a abrir espaço maior para ele em suas tiras com o Spirit e outros personagens. Mas foi a partir dos Anos 50 que Jules entrou no mapa dos quadrinhos para valer, com uma tira no semanário The Village Voice chamada "Sick Sick Sick" -- que depois virou simplesmente "Feiffer" --, onde em que reinventou o ...