Em Santos, cidade que tem o tempo de vida do Brasil, mas que não tem guias turísticos para aumentar o tamanho das estórias populares, é preciso se contentar em ouvi-las em algum buteco. Uma delas se refere à venda de cadáveres dos cemitérios para servir de estudos na faculdade de medicina. Há várias versões, algumas mais antigas, outras quase contemporâneas. Nas cidades da região têm sido comum denúncias de secretários municipais que transformam sua repartição num balcão de negócios. O de meio ambiente vende licenças ambientais, o de comércio vende alvarás, o de obras negocia contratos e as compras de materiais, assim como o de saúde cuida com atenção estetoscópica das compras de medicamentos... Daí, diz-se que um que veio um dia a administrar um cemitério, tendo ficado em desvantagem quanto ao que vender, logo achou um modo de comercializar dentes e ossos para os alunos, porém, não satisfeito, achou meio de entregar um finado fresco e empacotado para uma faculdade. Quem conta...
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