O atraso em plena manhã de sábado refletia a cara de poucos amigos. Meu único pensamento consistia em se queixar do táxi que não aparecia. Do outro lado da rua, Cadu gritava até quase se engasgar: — Jornalista! Professor! Ele havia me visto e provavelmente puxaria conversa. Desconhece meu nome, fato irrelevante diante da chance de mais um diálogo filosófico. Ou melhor, um monólogo repleto de questionamentos. — Professor, por que a política não dá futuro? Entrando no táxi, ouvi novamente frases que provocariam reflexão pelo resto do dia: — Professor, peça para os alunos argumentarem. Peça para que eles expliquem os porquês. Cadu não fez faculdade. Alguns vizinhos garantem que ele foi oficial da Marinha. Hoje, não exerce profissão alguma atualmente. Vive de pensão do INSS por invalidez. Ele é o que a sociedade de hoje considera doente mental. Para a vizinhança, mais um maluco beleza, daqueles que provocam risadas, mais um chato a ser evitado. O que diz em alto volume, no meio da ...
UMA REVISTA ACONCHEGANTE QUE VALE POR UM COBERTORZINHO